Em 2004 a Xuxa foi homenageada pela Caprichosos de Pilares

Xuxa completa 30 anos de carreira na televisão. São três décadas de sucesso retumbante, quantias milionárias e exposição na mídia como a de uma verdadeira rainha. Mas também são três décadas da pergunta que não cala: afinal, por que tanto sucesso?

Xuxa não sabe fazer praticamente nada bem. Não sabe cantar, não tem voz, não é engraçada, não dança, não fala bem, não é inteligente, não tem ideias interessantes. Não é nada.

Claro, sempre foi linda e gostosa — e diga-se de passagem, aos 50 anos ainda está batendo um bolão. Mas beleza é o suficiente para conquistar a mansão de 15 milhões de reais no Condomínio Malibu, um patrimônio que inclui ilha em Fortaleza, casa em Orlando, apartamento em Nova York e outras coisitas mais?

Não, beleza não explica tanto sucesso. Nesse fim de ano, ela já está negociando com a Globo a prorrogação do seu contrato, que vence em 2016, para, pelo menos, manter seu salário atual, de 3 milhões de reais, o segundo maior da emissora (o primeiro é do Faustão, 5,2 milhões) — sem contar a receita imensurável que obtém de seus empreendimentos.

Sempre há aqueles que explicam esse sucesso como um típico fenômeno de massificação da indústria do entretenimento. Pega-se um rosto bonitinho para cantar músicas de sucesso garantido, conduzir programas com receitas vencedoras e com a máquina de audiência da Globo faz-se uma rainha. Se ela merece ou não todo esse sucesso e essa dinheirama, não interessa — o importante é consagrar o produto industrial.

Mas Xuxa também estava no lugar certo e hora certa. Ela foi contratada em 1983 para apresentar um programa infantil na extinta Manchete graças a Maurício Sherman, que viu potencial naquelas formas que ela exibia com a coragem de usar roupas infantis (tanto no tamanho quanto nos padrões). Até então, ela era apenas uma modelo razoavelmente bem sucedida que emprestava sua imagem para algumas matérias editoriais e capas de revistas.  Teria, talvez, permanecido no anonimato se não tivesse se envolvido com Pelé, com quem namorou por mais de seis anos. O rei turbinou a carreira dela, dando-lhe visibilidade internacional. Logo era contratada pela Ford Models,  foi viver em Nova York e, em 1986, desembarcou na Globo para exercer sua majestade como Rainha dos baixinhos.

A partir daí, sua carreira decolou, apesar de ser necessário fazer alguns ajustes (por exemplo, trocar Pelé por Airton Senna).

Mas ela nunca foi nada. Não piorou, mas também não melhorou. Não tem nenhum qualidade a mais do que Cidinha Campos (essa mesma, hoje deputada estadual), que apresentava o programa Pullman Jr para a criançada nos anos 1960 — bonita também e muito mais inteligente.

Tudo bem. A Globo faz seu negócio, cria seus produtos, exerce seu poder e vem consagrando nomes inúteis em nome de sua máquina de sucesso.

Mas o que revolta é a facilidade com que se alça, aqui no Brasil, um personagem tão sem graça à qualidade de ídolo — a ponto do New York Times compará-la, devido ao seu sucesso, à Madonna. Lamentável. Madonna canta, dança e tem a personalidade de uma artista completa, ainda que não agrade a todos. Mas e Xuxa? A começar por esse nome, que parece fruto de uma mente pervertida.

Enfim, 30 anos de Xuxa e, ao que tudo indica, mas uma década de reinado da Deusa.

Como disse Woody Allen, “a vida não imita a arte, imita a má televisão”.