tres macacos sábios

 

A sociedade contemporânea é muito criativa. Graças a essa profusão de meios de comunicação, foi desenvolvida uma nova forma de resposta. Antes havia, simplificadamente, o “sim”  e o “não”. Você fazia uma consulta, uma pergunta, uma sugestão, um convite, uma crítica e recebia, basicamente, uma concordância ou discordância, além das complexidades inerentes ao conteúdo. Interessa esse projeto? Quer sair comigo? Você tem visto o Zé? Você vai chegar logo? Vamos marcar uma reunião?

São perguntas prosaicas do nosso dia de trabalho, amores, amizades, planos, desejos. Respondidas a partir de uma negação ou afirmação. Sim ou não. Simples.

Mas daí surgiram o email, o celular, o sms, as redes sociais, o whatsapp e as interações digitais, os comentários… Escancarou-se um cardápio quase ilimitado para as pessoas se comunicarem.

E então sugre a terceira resposta. Nem sim, nem não. Sem discordar ou concordar. Apenas o silêncio. A omissão. A indiferença. Na terceira resposta, não se ouve, não se fala, não se vê. O tiro vai na água, o vácuo prepondera, a sua iniciativa de comunicação desvanece no ar como se nunca tivesse existido. Você manda um email, mas não tem resposta. Manda uma mensagem e não tem retorno. Liga e ninguém atende. Deixa um recado, que talvez nem seja visto.

E a sua proposta de trabalho, o seu encontro amoroso, o papo com seu amigo, apenas simplesmente não existe.

O silêncio, ou o uso da terceira resposta, é completamente disseminado na nossa vida contemporânea. É cruel, não demonstra respeito, não tem repercussões favoráveis — apenas empurra quem teve a iniciativa de se comunicar para uma fantasmagórica vala de indiferença. Você até se ofende com essa omissão, mas é bem provável que também pratica.

Você liga para a namorada, ela não atende. O que pensar? está te traindo, acho que você está pegando no pé dela, está realmente ocupada? Será? E você apenas queria saber qual é o sabor do sorvete que ela prefere. Você manda um email para uma instituição e não obteve nenhuma resposta. Mandou três vezes e nada. E você só queria o contato de um certo profissional que pensou em te contratar. Certamente o destinatário estava ocupado com tarefas mais importantes e não pode parar cinco minutos para dizer “sim” ou “não”. Nos dois casos, você tá fudido.