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Recentemente, a Coca-Cola voltou a ser vendida em Burma, ou melhor, Myanmar, país que vive mergulhado em uma ditadura atroz e que ameaça um processo de distensão política. O fato é significativo: agora, são só dois países no mundo que não podem usufruir dos benefícios desse xarope gasoso: Cuba e Coréia do Norte — embora o produto possa ser encontrado no mercado negro.

Na verdade, não são produtos proibidos. Os países é que são submetidos a sanções comerciais e, por isso, não são contemplados com essa modalidade de “capitalismo em garrafa”, como já se disse por aí.

Ainda assim, a própria Coca-Cola divulga que vende, diariamente, um total de 1,8 bilhões de “porções”, ou seja, de garrafa, lata ou qualquer outra modalidade em que o líquido é servido. A Coca pode ser encontrada nas trilhas mais remotas do Himalaia e dos Andes e é, em média, mais consumida do que o leite materno no primeiro ano de vida de um ser humano.

A Coca foi criada em 1886, em Atlanta, na Georgia. Imaginem, no entanto, se ela fosse lançada hoje no mercado.

Em primeiro lugar, quem é que compraria uma refrigerante que tem nome de uma droga?  Que mãe daria Coca a um filho ou que namorada faria o mesmo ao seu companheiro?

Mais do que isso, quem se atreveria a tomar um líquido escuro, sem nenhuma semelhança com qualquer outro refrigerante já existente (supondo-se que a Pepsi também não exista) e com um sabor um tanto extraterrestre?

É por isso que será sempre uma surpresa saber que esse líquido, aparentemente inocência, está muito além da modesta compreensão da nossa própria natureza.