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A Copa do Mundo no Brasil deve atrair 600 mil visitantes estrangeiros, produzindo uma receita de cerca de US$ 10 bilhões em junho e julho de 2014.  É de se esperar que parte  desse dinheiro  será utilizado para a contratação de prostitutas nas 12 cidades sedes do evento.

Em  São Paulo, por exemplo, sede da abertura da Copa do Mundo, estão previstos 300 mil visitantes estrangeiros e, por isso, muitas prostitutas de outras cidades estão planejando mudar-se para a capital paulista durante evento.  Brenda, uma garota de 19 anos que trabalha em Vitória, no Espírito Santo,  já alugou, com mais oito amigas, um flat no centro da cidade de São Paulo. “O encontro por aqui [Vitória] sai por volta de 75 dólares, mas podemos cobrar até três vezes durante a Copa do mundo”, diz ela. Karina,  estudante de odontologia no Paraná, também visitará São Paulo exclusivamente para a Copa do Mundo. E vai receber  5 mil dólares para dar atendimento exclusivo  por duas semanas a um empresário alemão.

Algumas das casas de prostituição mais conhecidas de São Paulo também estão investindo em infra-estrutura e buscando a contratação de profissionais que falam inglês e espanhol. É o caso de uma “casa de massagem” próxima ao aeroporto de Congonhas, que irá disponibilizar até 50% a mais de garotas para a clientela durante o evento. Além disso, a casa também contará com uma limousine para buscar os interessados nos hotéis.”O importante é ter uma boa comunicação com os hotéis, pois são eles que nos indicam para os hóspedes. Já temos uma boa experiência pela Fórmula 1 e Indy, mas na Copa do Mundo o movimento deve ser maior. Por isso, vamos selecionar várias garotas de fora de São Paulo para podermos atender a todos”, diz o gerente da casa

Em Belo Horizonte, onde terá seis jogos da Copa, espera-se a visita de 200 mil estrangeiros e a Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig) está oferecendo cursos de inglês e outros idiomas para suas profissionais do sexo. De acordo com a  presidente da associação, Cida Vieira, “elas também vão acompanhar os turistas em passeios, como uma guia turístico mesmo”.  Para a vice-presidente da Aprosmig, Laura Maria, 54, falar inglês, para muitas prostitutas, pode representar mais que um novo cliente. “Elas têm aquele sonho de encontrar um grande amor que venha de fora”, diz a mulher que está há 20 anos na profissão.

Fortaleza, que receberá seis jogos da Copa da Mundo, é uma das cidades brasileiras mais turísticas, com suas praias de areia branca e sol o ano inteiro. Apesar disso, é uma cidade com uma grande população pobre em que a exploração sexual é comum, principalmente infantil. Há um verdadeiro comércio clandestino de meninas adolescentes que são recrutadas por gerentes de hotéis e taxistas.”Clientes estrangeiros “encomendam” prostitutas menores de idade e elas são entregues diretamente nos hotéis pelos cafetões”, explica o promotor público Francisco Carlos Pereira de Andrade, especializado na exploração infantil.

No Brasil, prostituição não é crime. Mas as casas e agentes que oferecem prostitutas são ilegais. Por esse motivo, e observando o aumento do fluxo de turistas durante a Copa do Mundo, o deputado federal Jean Wyllys fez um projeto de lei na Câmara dos Deputados para legalizar as casas de massagem (chamadas no Brasil de “privê”) e regulamentar a profissão das prostitutas, para que para terem os benefícios trabalhistas, como seguro desemprego e assistência médica. “O objetivo é garantir dignidade às profissionais do sexo”, diz Wyllys. “Elas são exploradas por cafetões que agem ilegalmente corrompendo policiais e a fiscalização, em uma estratégia em que todos ganham menos elas, as grandes vítimas”.