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Não é de hoje que políticos, órgãos do governo, clubes de futebol, dirigentes, torcedores e população em geral desconfiam, suspeitam e até condenam as entidades gestoras do futebol — todas elas: federações, confederação brasileira e sul-americana e Fifa. A administração do esporte mais popular do mundo é cada vez mais explicitamente fisiológica, visando interesses pessoais, muita grana e poder corrosivo sobre leis e bom senso.

É preciso fazer alguma coisa. E da mesma forma que o time corintiano organizou-se, pioneiramente, numa democracia, em plena ditadura dos anos 1980, talvez estejamos assistindo o início de uma atitude subversiva por parte do clube.

Já há algum tempo, o clube vem fazendo uma oposição branda à CBF, principalmente por parte do ex-presidente André Sanchez — um virtual candidato alternativo a ocupar a vaga de Marin. Recentemente, no entanto, o mesmo Sanchez, agora apenas um diretor do clube, organizou um encontro para cerrar fogo contra a Conmebol. Nele estavam representantes de clubes e de sindicatos sul-americanos, além de ex-jogadores mais politizados. Todos assistiram representantes do Uruguai mostrarem documentos comprovando a corrupção na Conmebol. “O que foi mostrado pelos advogados é uma vergonha. Não sabia que existia uma instituição mais corrupta que a Fifa e a CBF, mas encontrei. Com esse movimento, queremos fazer valer o que é certo, justo e sério”, afirmou Romário, que estava presente no encontro.

Da mesma forma que Sócrates, Casagrande e companhia assumiram a liderança do movimento democrático corintiano, agora é a vez do zagueiro Paulo André ser o portador, entre os jogadores, de uma aguda insatisfação política. Recentemente, num evento em São Paulo, o presidente da CBF foi duramente questionado por Paulo André sobre a política de alternância de poder da entidade. Marin jogou panos quentes e entre sorrisos amarelos declarou-se surpreso com a “intelectualidade” do jogador. Mas não ficou só nisso — e pelo jeito, Paulo André vai continuar na batalha. Já em 2011, ainda sem ter posição de titular no time, andou declarando abertamente sua oposição a Ricardo Teixeira, na época presidente da CBF. No último domingo, voltou à carga com um artigo publico no O Estado de São Paulo, no qual pede “reforma política já”. A frase não é por acaso uma menção à campanha “diretas já”: ele defende a participação dos atletas em órgãos com poder de decisão sobre questões técnicas dos campeonatos e competições — que podem incluir desde o método para escalar árbitros, à definição do calendário e até dos critérios de desempate.

Paulo André acredita que, pelo menos, possa escancarar uma discussão que já se faz tardia no futebol brasileiro e até internacional. Embora reconheça que CBF, Conmebol e Fifa sejam entidades privadas, financeiramente independentes, também enxerga possibilidades de enfrentar esse sistema a partir da manifestação dos próprios jogadores — os mais interessados e os verdadeiros responsáveis pelo sucesso internacional do futebol. Assim, ele vem convocando jogadores para “engrossar o caldo” — e cita alguns com potencial para liderar o movimento, normalmente os mais velhos e mais preparados, como Alex, Raí, Juninho Pernambucano, Rogério Ceni, Seedorf e D’Alessandro — além dos técnicos Paulo Autori e Dorival Junior.