Por João Amado, formado em administração com pós em economia pela fundação Getúlio Vargas de São Paulo, é consultor econômico e sócio fundador da Mudarei Consultoria. Contato: Joao.andre.amado@gmail.com

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O que você acha de um apartamento de 50m²? Muito pequeno? Razoável? E que tal um de 28m²?

A primeira vista parece algo inimaginável, não é?

Em muito países isso já é uma realidade, até banal. No Brasil ainda causa espanto, mas será o nosso novo jeito de morar.

A Exame.com levantou um estudo realizado pela imobiliária Lopes mostrando que 68% dos compradores acreditam que apartamentos pequenos, ou “studios” (nome moderno para a famosa kitnet) são uma tendência no mercado imobiliário

Segundo a reportagem, o aumento do número de solteiros, de casais sem filhos, o envelhecimento da população e a preocupação com a mobilidade urbana explicam o crescimento dos lançamentos de apartamentos menores.

O estudo foi baseado em 644 pesquisas realizadas em dezembro de 2013 com clientes que entraram em contato com a Lopes em busca de imóveis na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). 

Questão de economia? Nem pensar. Os chamados “studios” tem sido uma grande fonte de renda para as construtoras: os famigerados kitnets do século XXI chegam a custar 50% a mais pelo metro quadrado do que apartamentos de tamanho médio. Vi um anúncio de uma “mansão” de 35m² na Vila Olímpia por R$1.197.532 (isso mesmo, mais de um milhão de dilmas). Como efeito de comparação, a mansão que vive o Chuck Norris em Dallas, de 683,35m², com sala de cinema e academia, está a venda por US$999 mil, ou dois kitnets na Vila Olímpia. (http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/imoveis/noticia/3139174/chuck-norris-coloca-mansao-venda-dallas-por-999-mil-veja)

Os nossos hábitos estão mudando. Não há tantos terrenos disponíveis nas grandes cidades, um dos principais fatores para o exponencial aumento do preço dos imóveis. Além disso, a Caixa Econômica está financiando loucamente os compradores com taxas subsidiadas, inflacionando o mercado de forma anormal.

Para resolver esse problema aparentemente insolúvel, há dois caminhos: a descentralização das grandes cidades, que já está em curso (São Caetano do Sul, no ABC, já aparece como a cidade brasileira com a melhor qualidade de vida, segundo a ONU – http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/as-50-melhores-cidades-do-brasil-para-se-viver-segundo-onu)

O segundo caminho é reduzir seu quarto, sua sala e sua cozinha.

É fato: você ainda vai morar num apartamento de 28m². Para te tranquilizar, segue um vídeo mostrando que isso não é tão ruim: este apartamento de Madrid  foi desenhado por um arquiteto genial e mostra que é possível morar com qualidade num espaço quase japonês – http://www.huffingtonpost.com/2014/01/23/micro-apartment-in-madrid_n_4648213.html.

Má noticia: Dak Kopec, diretor de design para a saúde humana da Faculdade de Arquitetura de Boston e autor do estudo “Psicologia do ambiente para o design” (http://www.fairchildbooks.com/products/305), afirma que viver em apartamentos pequenos aumenta a probabilidade de o morador desenvolver vícios como o alcoolismo.

Pelo menos o apê não tem espaço para se montar um bar.