destruidora de lares_poucas_palavras

 

Ela teve um caso com um cara casado e a mulher acabou se matando. Outra, conta que marido engravidou a prima, uma “piranha interesseira”, e a família perfeita desmoronou-se. Uma terceira conta que a amante levou a filha de quatro anos para a casa do marido e, enquanto transavam, a criança se estatelou numa porta de vidro e ainda recebeu uma bronca por ter interrompido a diversão dos dois.

E assim vai, desfiando pérolas dramáticas de alcova, o site da Ariella (http://shesahomewrecker.com), destinado a mulheres que querem revelar as histórias e a identidade das “destruidoras de lares” que roubaram seus maridos, promovendo a infelicidade geral. Os depoimentos são acompanhados das fotos das amantes, algumas até mais ousadas, como se elas fossem terroristas sexuais — e as histórias às vezes entram em detalhes tão nítidos que chega a merecer a classificação de “site pornô”.

Os depoimentos, invariavelmente, traduzem, por um lado, o bom caráter e as boas intenções da mulher traída e as artimanhas imorais, pecaminosas e sem escrúpulos daquelas que lhe roubaram seus maridos ou namorados. Sem contar que os homens, ainda que sejam vítimas do poder de sedução das “vadias”, também não prestam.

Tudo bem. Elas desabafam seus dramas a quem lhes dá atenção e espaço e isso talvez faça bem para o fígado delas. E o fato é que o site tem centenas de depoimentos e faz sucesso — tanto que Ariella já criou uma versão masculina para os marmanjos desfiarem suas dores. Parece aquela piada: João dá mil reais para José comer lixo. Depois, José dá mil reais para João comer lixo. No fim, os dois comeram lixo de graça.

Mas ainda resta uma reflexão: o que leva as pessoas a exporem em praça pública seus dramas domésticos, como se fossem únicos, além de um desabafo que poderia ser feito com a vizinha da esquina? Qualquer psudopsicanlaista do Facebook diria que, no fundo, são pessoas que têm consciência pesada por ter provocado, de alguma forma, essas “tragédias” e se fazem de vítimas em depoimentos unilaterais.

O fato é que, no conturbado universo dos relacionamentos, as fórmulas e soluções que surgem parecem armas e estratégias da Guerra dos Sexos. Ou como diz um morador de rua com ares filosóficos: “Mulher ou homem, é tudo um saco!”.