De Luanda, Angola, chegam  essas imagens oníricas pintadas por nossa irmãzinha africana Isabel Baptista, acompanhadas pelo seu depoimento criativo. 

Cresci com muito colo, baloiços, família numerosa e ruidosa por entre contadores de estórias homericas e fabulosas, músicos e bailarinos, pintores, fotógrafos malabaristas e pescadores de sucesso. Por perto, muito perto, sempre o mar avulso turqueza namorando o esmeralda, flores em saldo em jardins exuberantes com trevos de quatro folhas, gargalhadas emoldurando um bwe de amigos, muitos amigos, e em escolas públicas de janelas e portas escancaradas como a sorbonne para o mundo. Tive a rua e a estrada como faculdade das emoções repletas de uma vadiagem saudável por cima de muros, copas de árvores com casinhas surreais e muitíssimos amores. Com uma mochila remendada pelo tempo, atravessei mundo de boleia e mais tarde de avião…tomei banho de rio, adormeci em praças soberbas com cheirinho de café e perfume caro e aprendi amigos em várias línguas e jeitos! Trago-os até hoje em celofanes para que não padeçam com a poeira. Meus filhos fantásticos e belos a mim, e só a mim, pertencem e desses colho louros e vitórias secretas o tempo todo. Os filhos de rua incluídos. Desde sempre. Espero assim conseguir temperar o que vai menos bem nesta banda que é meu lugar e propôr que atravessem comigo esta galeria por entre o resultado de tudo isto. Persigo o que é bom e aposto de cada vez no amor. Na liberdade. Como um bálsamo, o convite tá feito. Diferenças Iguais para que caibam todos. (Isabel Baptista)

 

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Vejo nos teus quadros uma espécie de geometria solar e vegetal em movimentos de intensidade circular como se um girassol dançasse nas veias do fogo e a própria cor fosse redonda fluência de uma tensão dinâmica da felicidade de um vento redondo. Vejo as artérias do sol, vejo a indolente violência dos felinos troncos que se enrolam e se estendem com a fluência da cor na sua integridade de animal energia. Como uma roda que se expandisse em torno de si mesma com o movimento do sol e com a densidade da pedra e a jubilosa força de uma clara fronte gloriosa. É assim que tudo gira em densa fluência como no interior de uma matéria que fosse ao mesmo tempo de água e sol e tão intensa e instantânea como as cordas de um relâmpago. (António Ramos Rosa)