estádio vazio

O torcedor paulistano é exigente. Gosta de jogos decisivos e bem jogados. Talvez isso explique a falta de interesse que vem se revelando nos clássicos do Campeonato Paulista deste ano. Jogos com pouco importância para o campeonato e, consequentemente, público inexpressivo nos estádios.  Nos três clássicos que ocorreram esse ano, apenas o jogo do Corinthians contra o Palmeiras teve um público expressivo, 34 mil pagantes — e isso porque o mando de jogo era do Corinthians que vive uma lua de mel com seus torcedores. Nos outros dois clássicos, menos de 20 mil pagantes.

O problema não é de hoje, e nem sequer do Campeonato Paulista. Basta lembrar do segundo jogo entre São Paulo e Santos do Brasileiro do ano passado: pouco mais de 6 mil no estádio. Palmeiras e São Paulo, também pelo Brasileirão, obteve 8 mil pagantes.

Quando lembramos que a média de público do Fluminense, pouco mais de 12 mil, com o time embalado para ser campeão brasileiro, pode-se até entender: o Fluminense nunca foi um time de grande torcida. Mas São Paulo e Palmeiras, por exemplo, têm torcidas imensas, capazes, sim, de lotar estádios. Os são paulinos colocaram mais de 47 mil pagantes na final do Paulistão, no ano passado, contra o Santos.

Como interpretar esses fatos? A impressão é que não basta ter craques, como Neymar, Ganso, Luiz Fabiano e Montillo. Também não basta evocar a velha rivalidade entre os grandes. Assim como não basta o sentimento coletivo de esforço concentrado que o Palmeiras precisa para se erguer novamente.

Para o paulistano, é preciso mais do que isso. É preciso ter decisão.. O futebol parece refletir o estado de espírito da cidade, o de ser produtivo, de concluir processos, de obter resultados definitivos. A pura rivalidade, sem disputa direta de títulos, parece ser romântico demais para esse público focado em objetivos. Talvez o paulistano goste mais de torcer do que o futebol em si.

Tudo isso são especulações, claro. Mas é importante refletir sobre a presença de público nos estádios e adequar o espetáculo ao espectador. Os novos tempos exigem isso. E aparentemente não há motivos para que um clássico como o de ontem, que produziu um empate sem emoções para um público inferior a 15 mil pagantes, continue assim.