orgasmo_poucas_palavras

 

A primeira ideia que me passa pela cabeça quando penso no dia do orgasmo é a de que não gostaria de escrever sobre o assunto. O tema é complicado demais para eu me aventurar a explorar reflexões sobre ele, sobretudo porque se trata de uma reação física, antes de também poder ser uma emocional.

Mas a própria resistência em desenvolver algum tipo de texto sobre o assunto me fez escrever sobre ele. A ciência, a medicina, os sexólogos e psicólogos, podem discorrer verdadeiras teses sobre o orgasmo. Eu não. Faltam-me teses séria e adequadas.

Mas um delas, acanhada e modesta, me sobrevém à mente nesse exato momento: a comparação entre o orgasmo masculino e feminino — e em ambos casos é fundamentalmente injusto.

Injusto com os homens, porque têm limites físicos para obtê-lo. Uma, duas, três vezes por noite? Pode ser. Mas não mais do que isso. Ok, o teu vizinho já veio com a história de que deu sete numa noite só ele se sente o dono da cocada preta. Mas ainda que nosso super-herói consiga marcas surpreendentes, também ele tem limites. Quero ver ele conseguir oito vezes!

Já às mulheres… Orgasmos múltiplos, por exemplo, é um território exclusivamente feminino — uma benção do prazer reservado a elas.  Talvez seja uma compensação divina para o fato de a dor do parto ser também exclusividade das moças.

Mas por outro lado, é injusto com as mulheres porque o orgasmo feminino é bem mais exigente e difícil de ser obtido. Homem pode gozar até mesmo se roçando num poste de luz. Bom, algumas mulheres também podem, mas pertencem à mesma espécie do nosso super-herói lá de cima: são exceção.

Esse desequilíbrio acaba sendo um pouco traiçoeiro. Afinal, é maioria cultural o pensamento de que o homem deve participar decisivamente no orgasmo feminino — ou seja, tem que ser bom de cama para ajudá-las na tarefa.

Não chega a ser um sacrifício, claro. Infelizmente, não podemos pedir a ajudar delas para ter orgasmos múltiplos.

Assim, cercado de injustiças e sob as rédeas curtas que envolvem o relacionamento entre homem e mulher, o orgasmo sobrevive, intenso como nunca. Estima-se que a cada minuto, 1,5 milhão de pessoas no planeta tenham orgasmo. Ou seja: se você é letrado e chegou até aqui nesse texto, considere que, nesse espaço de tempo, algo como seis milhões de pessoas fizeram algo mais interessante e prazeroso que você.

Tenho clara consciência de que, infelizmente, o que escrevo não é capaz de levar ninguém a orgasmo nenhum.