Por Filipe Amado, de Capadócia, Turquia

 

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A Capadócia fica na região da Anatólia central, local de um dos primeiros impérios do mundo, os hititas, e oficialmente na Ásia. Eu não poderia terminar a viagem de um jeito melhor: a Capadócia foi um dos lugares mais incríveis que visitei em termos de natureza, uma região vulcânica onde foram depositados diferentes tipos de rochas por diferentes vulcões e estas rochas sofreram erosão de formas diferentes criando formatos únicos. Além disso, terremotos abriram fendas nas rochas vulcânicas e a água penetrou por estas fendas aumentando-as ao longo de milhares de anos. O resultado desse processo é a formação de inúmeros vales caprichosamente esculpidos pelo vento, com formações rochosas , formatos diferentes e cores diferentes, devido aos minerais que predominam em cada local. O que torna a região mais interessante ainda é que os habitantes, desde a antiguidade, construíram suas casas dentro das rochas e algumas famílias moram nelas até hoje. A Capadócia é uma região meio desértica, com pouca água e uma variação climática muito grande entre as estações do anos. Isso torna ideais as habitações nas rochas pois no inverno gelado seu interior permanece aquecido e no verão quente fica fresco e protege do calor. Por isso os habitantes da Capadócia são autênticos homens das cavernas e é possível ver inúmeras construções que datam da época bizantina, como igrejas, monastérios, casas e vilas construídas inteiramente sobre a rocha, escavadas nos vales e em formações rochosas que parecem edificações humanas, mas na verdade são autenticas obras da natureza. Esses locais serviram de abrigo para a recente comunidade cristã na época do império romano. Eles usavam túneis e construções nas rochas para se protegerem da perseguição que sofriam quando o cristianismo ainda não era aceito e deixaram marcas impressionantes — como uma vila subterrânea e igrejas nas rochas com desenhos que sobreviveram ao tempo.
Numa viagem como a minha, na qual predominou o aspecto cultural, histórico e político, é muito bom quando surgem oportunidades de aventura na natureza, principalmente nesse momento final quando já estou saturado de museus e monumentos. Foi muito bom poder explorar sozinho os vales, escalar as rochas, entrar nas cavernas, pegar caminhos e trilhas diferentes e basicamente poder pirar do meu jeito naquele cenário totalmente surreal e alucinante. Ainda fiz o incrível e caro passeio de balão, algo que provavelmente não faria se estivesse no começo da viagem.
Fechei a viagem com chave de ouro, mas ao mesmo tempo é difícil aceitar que ela está acabando. Nunca gostei de mudanças e sempre tive dificuldade em aceita-las, mas quando a mudança se torna o normal e a estabilidade se torna o diferente, resta saber se vou me adaptar novamente a ela.
Veja as imagens:

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