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Por Alice Moravia, de Nova York

Vamos falar de um Playboy?

Hoje, ao começar minha leitura diária de alguns sites brasileiros me deparei com uma notícia que me causou espanto: O “playboy” Chiquinho Scarpa irá sepultar seu carro de luxo nos jardins de sua casa inspirado em faraós que enterravam suas fortunas. O espanto foi pela atitude, mas logo percebi que não é nada absurdo vindo de quem vem. Você sabe quem é Francisco Scarpa?

Francisco Scarpa é mais conhecido da grande mídia como um playboy, filho e neto de industriais italianos, que sempre achou que viver na ostentação e gastar o dinheiro do suor da família poderia ser confundido com sabedoria de vida. Ao contrário do que muitos pensam, Chiquinho Scarpa nunca foi considerado pela alta sociedade paulistana um elegante. Digo isso porque a alta sociedade paulistana é na verdade composta por uma minoria muito rica, muito discreta, com pavor a ostentação, que trabalha muito e que todos juntos não chegam a 30 pessoas. Não, a verdadeira elite paulistana não faz caras e bocas no programa do Amaury Junior. Mas o que Chiquinho Scarpa não sabe é que:

O termo playboy é cafona desde século passado e que ostentação não cabe mais na sociedade moderna seja lá em que classe for. Será que ele leu sobre  um certo casamento no Copacabana Palace no auge dos protestos?

Um homem “elegante” jamais falaria em rede nacional que o pai nunca foi capaz de lhe dar um abraço, ainda mais quando este pai é recentemente falecido e trabalhou o suficiente para sustentar um parasita do berço ao caixão.

Um homem “elegante” não insinua em rede nacional que conheceu intimamente a princesa Carolina de Mônaco, sabendo que uma mulher conhecida por ser elegante na essência, jamais teria um caso com um chiquinho latino americano que compensa a falta de altura com extravagâncias financeiras.

Um homem “elegante” não ostenta um título de Noble de Robe, ainda que  seja um título papal, porque qualquer pessoa que estuda um pouco de história sabe que esses títulos eram comprados pela burguesia, ainda que com a desculpa de ser um reconhecimento pela filantropia. E não me surpreenderia se alguém chegar a conclusões diferentes da contada pelo “conde” se apurar esta história junto à Santa Sé.

Um homem “elegante” não fala em rede nacional sobre uma ex mulher falecida  dizendo que o casamento foi um equívoco devido às diferenças sociais entre os cônjuges. Um homem dito de sociedade, que deveria conhecer as moças “casáveis” da elite cometeria um erro de avaliação tão tosco? O que faz uma pessoa fazer vistas grossas para tanta diferença quando é um pseudo elitista?

Se é notoriedade que ele busca, por que não vender o carro e doar o dinheiro para a Santa Casa de São Paulo, já que ele mesmo passou por problemas sérios de saúde? Será que no mundo do “conde” todas as pessoas tem o mesmo tratamento de saúde que ele teve à disposição?

Conde por conde, prefiro aplaudir lendário Francisco Matarazzo. Que tinha no trabalho um dos seus sinônimos de elegância.