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Uma das grandes preocupações do governo brasileiro com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos são as favelas.

Em quase todas as grandes cidades brasileiras é possível encontrar favelas — estima-se que cerca de 12 milhões de pessoas vivam nelas, ou seja, 6% da população brasileira.  São um aglomerado de casebres, erguidos com sobras de construção em geral em áreas de difícil acesso, como no alto dos morros. No Rio de Janeiro, onde ocorrerão seis jogos da Copa do Mundo, inclusive a final, as favelas abrigam cerca de 1,7 milhão de moradores, ficam muito próximas à orla e algumas já estão lá há décadas. Muitos moradores das favelas são vistos frequentando as mesmas praias utilizadas pelos moradores de edifícios que ficam na orla, habitados pela população mais rica. Esse é um eterno conflito da cidade.

São nas favelas que se operam as grandes redes do tráfico de drogas da cidade, ameaçando o conforto do grande numero de turistas que normalmente visitam o Rio de Janeiro. Com a Copa da Mundo e a Olimpíada de 2016, é esperado um grande aumento no fluxo de turistas e o governo brasileiro e do Estado do Rio de Janeiro vem tomando atitudes para diminuir esse conflito. Mas com resultados muitas vezes desastrosos.

Um deles é a política de remoção das favelas, em que os moradores são transferidos para áreas distantes do centro da cidade. Essa foi uma prática comum nos tempos da ditadura militar, nas décadas de 1960 e 70, quando não se podia protestar ou resistir a essa prática. Hoje, no entanto, os moradores de algumas favelas já estão organizados o suficiente para, inclusive, contestar na justiça esse tipo de procedimento. Um exemplo é a comunidade da Vila Autódromo, situada na zona oeste do Rio de Janeiro, que ocupa a área onde será construído o Parque Olímpico do Rio: os moradores contestaram a remoção na Justiça e as obras estão no momento paradas. Eles não aceitam o valor das indenizações prometidos e reclamam de que serão transferidos para áreas muito distantes, sem fornecimento de água e energia elétrica.

A outra política é de “pacificação” das favelas cariocas. Foram selecionadas 36 áreas consideradas críticas e ocupadas por mais de 9 mil policiais com o objetivo de expulsar os traficantes e dar garantia de segurança aos moradores. Foi o que aconteceu nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, onde vivem mais de 10 mil pessoas e são conhecidos redutos de gangues de traficantes do Rio de Janeiro. A operação foi bem sucedida nos primeiros meses, mas, agora, já há sinais de que os traficantes estão voltando, provocando alguns conflitos intensos com a polícia. Há um temor de que a situação se torne mais crítica e as soluções à base da força não sejam as mais indicadas. “Os criminosos acreditam que agora é a hora de contra-atacar”, disse Alba Zaluar, antropóloga da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. “Com a tensão e a raiva nessas comunidades é mais fácil para as quadrilhas voltarem e impor-se através de uma já testada e aprovada cultura da violência”.

A Copa do Mundo tem sido uma boa oportunidade de se refletir sobre soluções sociais importantes para o Brasil, desde que não cometam os mesmos erros do passado e busquem as causas mais profundas dessas questões.