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Sobre a morte do menino boliviano, há duas verdades que não se pode contestar. A primeira, é que os responsáveis devem ser punidos na forma da lei, longe dos aspectos esportivos, e com a severidade necessária nesses casos. A segunda, é que o clube deve sim ser punido, não por que tenha culpa (o que é discutível), mas porque essa é a única forma de conter a escalada de violência nos estádios. Isso já é provado.

Mas o Corinthians deveria abandonar voluntariamente a Libertadores por outros motivos. O principal deles é mostrar a dignidade que faça justiça do futebol sul americano. Quem acompanha o torneio sabe que a violência fora de campo  — e dentro também — é uma das características do futebol do continente. E as punições são brandas, quando existem. Se aplicassem os mesmos critérios do futebol brasileiro nos jogos sul americanos, praticamente todos os estádios seriam interditados. Mas não. Raramente isso acontece. O Morumbi só agora foi interditado, e por uma partida apenas, depois do vexame da final da sul americana contra o Tigre, da Argentina. Por que essa penalidade demorou tanto e aconteceu só depois da incidente com o menino boliviano? Será que foi preciso ocorrer uma morte para a Conmebol começar a se preocupar com o problema?

Ainda assim, antes tarde do que nunca. É preciso, sim, punir exemplarmente o Corinthians e sua torcida. Mas é também preciso punir, na medida certa, os outros times e estádios que são palco de cenas degradantes envolvendo torcidas e jogadores. Se o jogador precisa da proteção do escudo da polícia para bater um escanteio, o estádio e o clube tem que ser punidos. Por que essa tolerância? A Comebol deveria punir sim essas cenas e não só isso: também os estádios sem policiamento adequado, os campos que parecem pastos, o apito amigo, a violência entre os jogadores, os dirigentes que invadem o campo, as cidades que sequer têm aeroporto.

Por tudo isso, o Corinthians deveria assumir a condição de líder, de campeão mundial, de ser a marca mais poderosa do continente, de ser um campeão de audiência, e abandonar voluntariamente a Libertadores. E só voltar quando as chances de eventos como a morte do menino boliviano fossem reduzidas a zero.