amarilla

A questão da arbitragem do paraguaio Carlos Amarilla no jogo do Corinthians contra o Boca não pode terminar em pizza. É preciso ir mais fundo do que tem sido feito até agora.

Na verdade, não tem sido feito nada. A Conmebol prometeu investigar o caso e “eventualmente” suspender o árbitro paraguaio. Mas isso ainda não aconteceu e talvez não vá acontecer — no máximo, o que pode ocorrer é uma suspensão simbólica, apenas para aplacar a cobrança dos torcedores.

Há alguns dias, o presidente do Corinthians Mário Gobbi deu entrevista a respeito do assunto. Nela, deixa claro de que há sim uma suspeita, por parte do clube, de que houve uma intenção clara do árbitro em prejudicar o time do Corinthians. Ele reforça que é só uma suspeita, mas há um consenso entre os demais diretores de que houve, sim, uma “encomenda” para retirar o Corinthians da competição.

Não é difícil pensar nessa hipótese, levando-se em conta a quantidade de erros cometidos pelo árbitro durante a partida. Difícil é achar os motivos para eliminar o Corinthians da competição. Afinal, se o que interessa é o dinheiro, todos perderam com essa eliminação: a TV, que obteve recorde histórico de audiência com os jogos do Corinthians no ano passado; a Conmebol, que perdeu em arrecadação de bilheteria e o próprio Corinthians, que deixou de faturar com seus jogos. Dinheiro é um bom motivo para levar essa investigação a fundo.

Se o motivo desse hipotético complô é o incidente em Oruro, não haveria modos mais eficientes para penalizar o Corinthians?

Finalmente, há o motivo político, que parece ser mais provável : favorecer times argentinos — cuja representação domina a Conmebol — em detrimento dos brasileiros, tecnicamente superiores e favoritos ao título. Pelo menos três times foram decisivamente prejudicados pela arbitragem da Libertadores: Corinthians, Palmeiras e Fluminense — que sobreviveu, não se sabe até quando. Assim, se a questão é política, e não técnica ou financeira, há ainda mais motivos para aprofundar essa investigação.

Os times brasileiros não podem mais participar de uma campeonato tão importante e representativo, e que movimenta tanto dinheiro, estando sujeitos aos humores políticos de uma federaçãosinha formada por quadrilheiros — a Conmebol. E a CBF, entidade esportiva mais forte e rica do continente, não faz nada a respeito — assumindo uma posição omissa e conivente com essa corja sul-americana.

A Libertadores e a Conmebol devem sofrer investigação, sim, aprofundada. Não é mais possível aturar a submissão passiva, quase bovina, aos times brasileiros. Hoje, foi o Corinthians o grande penalizado. Amanhã, quem será?