O Corinthians não conseguiu  suportar tantas adversidades. Mas o comportamento da torcida valeu um título.

torcida corintiana

As adversidades foram demais para o Corinthians. A exigência do placar, a experiência do Boca, a genialidade de Riquelme, a competência do técnico Bianchi, a pouca eficiência na finalização do time corintiano e, claro, os erros da arbitragem, foram obstáculos impossíveis de transpor.

Esse último item, em especial, não é um problema só do Corinthians. O Palmeiras já tinha sido prejudicado decisivamente na partida contra o Tijuana que o eliminou. O presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo Aguerre, assim que assumiu o cargo há pouco, comentou que gostaria de ter um número menor de times participando da Libertadores. Um dos motivos alegados por ele foi a carência de um quadro competente de árbitros no continente para apitar tantos jogos. Há uma grande deficiência nesse setor e até mesmo um árbitro experiente como o paraguaio Carlos Amarilla está abaixo da qualidade técnica indispensável para uma competição tão importante como essa — talvez até porque esteja em fim de carreira.

O fato é que a Libertadores não pode mais suportar uma influência tão grande da arbitragem no resultado dos jogos.

Mas, independentemente desse fator, sempre decisivo, o Corinthians não fez o resultado que precisava e o Boca, mais uma vez, soube ganhar e eliminar um time brasileiro, com todos os méritos, porque, apesar de não estar na melhor fase, é um time de argentinos —  e argentino é sempre bom de bola. Mais ainda: tem um craque fora de série, que é capaz de, num lance isolado, resolver a partida — como foi o caso do gol espetacular feito por Riquelme.

Se o Corinthians perdeu essa batalha, a torcida, no entanto, garantiu um título ao time.Talvez devido à lua de mel que o corintiano passa com seu time, em função de todos os títulos conquistados nos últimos tempos — incluindo a final com vantagem contra o Santos — a torcida manifestou-se de uma maneira absolutamente comovente após o fim do jogo, permanecendo no estádio em total comunhão coletiva entre si e os jogadores.

Futebol é muito mais do que resultados e títulos. É a capacidade de comover de maneira coletiva — como são as ideologias, as revoluções, as religiões e as guerras — mostrando um dos aspectos mais nobres do ser humano: a potencial de união em torno de um ideal. Nenhuma adversidade é grande demais para vencer essa ideia.