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Parecia mesmo uma medida de bom senso: deixar de usar sacolas de plástico para transportar as compras. O governo do Estado de São Paulo fez um acordo com os supermercados e… voilá! Entramos numa nova era, na qual prevalece a cidadania e a respeito ao meio ambiente. Simples, né?

Mas a verdade é que não foi, e continua não sendo, nada simples. A começar pelo conceito da medida: diminuir o consumo de saco plástico, levando-se em conta que se trata de um material de lenta absorção pela natureza. Mas essa medida nunca esteve sustentada por uma política de reciclagem de plástico, que continua praticamente a mesmo há mais de uma década. Em outras palavras, a medida diz o seguinte: vamos jogar um pouco menos plástico no lixo. E ponto final.

Mas o que pegou mesmo mal foi que a medida acabou caindo no colo do consumidor — ou melhor, no bolso. Deixar de ganhar a sacolinha no supermercado e passar a pagar por ela não foi nada legal. Em primeiro lugar, a sacolinha “gratuita” nunca foi de fato gratuita: evidentemente os custos dela estavam incluídos no orçamento administrativo dos supermercados. Em segundo lugar, não há, de fato, uma justificativa razoável para cobrar do consumidor essa nova versão de sacolinha “ecológica”. Esse custo deveria ser dos supermercados, por que não? E, em terceiro lugar, quem realmente é capaz de jurar que essas sacolinhas são verdadeiramente ecológicas? Até onde sei, a diferença está apenas no fato de que elas se fragmentam em pedaços mínimos, ao contrário da anterior, que se mantem inteira. Mas isso não é nada “ecológico”.

Assim, o Procon, cumprindo seu papel de proteger o consumidor, impediu que o acordo fosse levado a cabo. É preciso oferecer uma alternativa gratuita ao consumidor, determinou o órgão — e deu um prazo de três meses para os supermercados providenciarem a tal alternativa. Enquanto isso, as sacolas convencionais continuaram a ser usadas.

Três meses se passaram e as tais sacolas mágicas voltaram aos supermercados. Sim, se você quiser, pode solicitar uma alternativa gratuita. Mas isso não é tão simples assim. O melhor mesmo é levar uma cópia da resolução do Procon para garantir seu recipiente gratuito, normalmente uma caixa de papelão, muito “ecológica”, caindo aos pedaços.

Foi o que vigorou até hoje. Quando, por fim, o Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo decidiu por unanimidade que é direito do consumidor receber gratuitamente as sacolas plásticas — e os supermercados terão de voltar a distribuir gratuitamente as sacolinhas, ecológicas ou não. Acabou a farra.

Acredito que muita gente é a favor da implantação de sacolas mais degradáveis e que se deve, de maneira geral, adotar práticas que diminuam o lixo ou que atendam aos novos preceitos ambientalistas. Isso é bom. O que não é bom é achar que pequenas medidas isoladas, que podem esconder objetivos outros além daquilo que você espera delas, possam ser solução para alguma coisa. E que não devemos, sempre, aceitar pagar o preço de políticas sobre as quais não fomos consultados. Acho que seria muito melhor, nesse momento, haver coleta seletiva na minha rua — e que as sacolas de plástico, ecológicas ou não, tivessem um fim mais adequado do que o lixo.