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O Facebook atingiu a marca de 1 bilhão de usuários em todo mundo, em seus 70 idiomas. É uma marca impressionante e que contém conteúdos díspares, que nem sempre correspondem ao que aparentam.

O Facebook apareceu para servir como instrumento social para a população mundial em sua maioria concentrada nos centros urbanos e submetida às limitações das metrópoles. O trânsito, a violência urbana, as diversões excessivamente comercializadas e a ausência de espaços sociais fazem um cenário genérico que submete as pessoas à solidão, à angústia e ao medo da sociedade e da vida em geral. E o Facebook resolve tudo a partir de uma máquina relativamente barata e tão comum como uma geladeira.

Mas engana-se quem pensa que o Facebook é só mais uma ferramenta “legal”, democrática e grátis para servir nossos anseios sociais. Não é. Na verdade, nós, usuários, não somos clientes, somos o produto do Facebook. É o que a empresa tem para gerar seus lucros que não são nada pequenos. Para se ter uma idéia, cada vez que você clica num anúncio dentro do Facebook, está gerando uma receita de, no mínimo, 34 centavos de dólar para os acionistas da empresa. No Brasil, existem 54 milhões de usuários — se cada um clicar em um anúncio por dia, a renda, só no Brasil, seria de aproximadamente 30 milhões de reais.

Mas essa farra tende a diminuir, enfraquecer e possivelmente acabar.  Vai durar quantos anos mais? 10? 15? Talvez muito menos que isso. Outras redes sociais já bombaram e tiveram curta vida. Como o Orkut, por exemplo,  hoje uma sombra obscura do que foi. Ou o MySpace, que em 2009, chegou a ter perto de 250 milhões de usuários e, hoje, virou pó.

Esse é o provável destino do Facebook.

Os sinais já são evidentes. Em primeiro lugar, depois de atingir um bilhão de usuários o que pode acontecer? Não há como crescer mais — basta lembrar que existem “apenas” 2,2 bilhões de usuários da internet em todo mundo. Ainda que cresça, nunca será com a mesma velocidade.  Esse é um dos motivos que provocaram a queda das ações do Facebook, hoje negociadas a um terço do valor do lançamento. Quem compra ação quer resultado, não participar de um site “legal”.

Outro motivo é o inesperado crescimento dos acessos móveis.  Cerca de 600 milhões de usuários já utilizam seus smartphones para entrar no Facebook. É mais da metade. A questão é que não estavam preparados para isso e sofreram enormes perdas porque a publicidade não aparece nos acessos móveis.

Não basta corrigir esse problema técnico. É preciso se ajustar à tendência inevitável de que cada vez mais o usuário móvel quer sites e redes sociais desenvolvidas especificamente para o acesso via smartphone, por exemplo — como é o Instagram. Ou seja, redes sociais mais específicas e não tão abrangentes e populares.

Adaptar-se a essa nova tendência vai custar muito ao Facebook, talvez a própria existência.

Como diz a sabedoria chinesa, depois de chegar à montanha você encontra… outra montanha.