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Não, não falta. Messi não faz falta nem no Barcelona. No sábado, o Barça, primeiro colocado na Liga Espanhola, enfrentou o Mallorca, penúltimo colocado. Sem Messi, contundido. Ganhou de 5 a zero, deu um show de bola e atraiu quase 80 mil pagantes.

Ao mesmo tempo, aqui os campeonatos estaduais promovem partidas para estádios vazios, tristemente abandonados a um público quase simbólico — e são raras as exceções. Pior: se Messi jogasse num time brasileiro, tudo indica, não mudaria em nada.

A ausência de público nos estádios têm preocupado algumas pessoas. Antes de tudo, é bom que se diga que o torcedor brasileiro nunca foi, ao contrário do que se imagina, um grande frequentador de estádios. Sim, há lembrança fugaz dos tempos em que o Maracanã recebia mais de 150 mil pagantes para alguns de seus clássicos decisivos, como Flamengo x Fluminense.

Isso é passado. Por motivos de segurança, os estádios “encolheram”, mas não é por isso que o torcedor brasileiro não vai aos estádios.

Fala-se que os jogos não têm importância. Pode ser. Mas então explique porque o jogo entre Barcelona e Mallorca, completamente sem importância, foi capaz de atrair tanta gente. Outro motivo seria o preço alto dos ingressos. É verdade, eles estão altos mesmo. Mas o ingresso mais barato, com desconto para sócio torcedor, do jogo do Barcelona, foi de 50 euros — quase  150 reais.  E não se pode também dar como desculpa a ausência de craques — afinal, Messi não estava jogando.

Então qual seria a explicação para públicos tão pequenos em nossos estádios? Ou por outra, porque não somos capazes de frequentar os estádios da mesma forma que os espanhóis? Aliás, não é apenas na Espanha que a média de público é bem maior do que aqui. É em toda a Europa. E na Argentina, na Turquia, no México, no Egito e no Irã. E até nos Estados Unidos.

E não é o excesso de jogos, a violência dos torcedores, as más condições dos estádios, a dificuldade de acesso — nada disso.  Esses são elementos que existem na maioria dos estádios lotados do mundo. Talvez não na Europa. Mas com certeza, em outros continentes. No Irã, onde só se pode assistir aos jogos em pé e a entrada só é permitida aos homens, não há um clássico entre os times locais em que o estádio não esteja com lotação completa.

Talvez o que falte mesmo é paixão. Aquele desejo incontrolável de ver de perto o seu time jogar.  De gritar com todas as forças para comemorar ou xingar o adversário. De encontrar seus semelhantes e vibrar pelos mesmos objetivos. De estar onde o futebol acontece.

Verdade que estamos num momento de transição. O futebol está se tornando elitizado, mas ainda não ficou. E já está deixando de ser popular. Os geraldinos e arquibaldos, eternizados por Nelson Rodrigues, hoje são televisaldos e televisinos. E, enquanto isso, construímos estádios como se nada disso estivesse acontecendo. Mas isso é uma outra história…