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Ela parece uma menina da faculdade com a qual você combina de se encontrar depois da aula para discutir um trabalho em grupo. É, sim, menina, aparentemente muito jovem, mas com um currículo de muitas linhas nas artes cênicas. Conversamos rapidamente após a peça Hoje é Dia de Maria, que vem sendo exibida no Teatro do Instituto Tomie Othake, em Pinheiro, São Paulo (veja detalhes abaixo). Quase não a reconheci. Maria, a personagem, é uma moça humilde do interior, vivendo um drama típico de um conto de fadas: é maltratada pelo pai e a madrasta, foge de casa ainda quase uma criança, para realizar um sonho e encontrar o seu príncipe. Nesse desenrolar, Ligia domina o palco e durante mais de uma hora, sem praticamente se ausentar, interpreta, canta, dança, pula, rola, faz números circenses… a menina é um azougue, como dizia minha mãe.

Fora do palco, é tranquila, sempre sorridente e capaz narrar de sua história e seus planos de maneira ponderada objetiva. Nesses momentos, é uma produtora, o que de fato. Produz ela mesmo suas peças e não só isso: é coreógrafa, cenógrafa, diretora, figurinista e até mesmo relações públicas. Com essa, já são nove peças  que produziu, sempre com visibilidade e incorporada ao circuito mais nobre do teatro. Formou-se em “tudo”: em balé, sapateado, canto, ginástica ritmica e, não duvide, deve ter até batido uma bola lá no time de São Bernardo, cidade onde vive. E ela nem chegou aos trinta ainda. Faz parte dessa geração super-precoce, super-talentosa, multidisciplinar, que vem surgindo por aí, atropelando nós, os mais velhos. Deixa um espaço pra mim, aí, menina!

Seu passe deve estar valendo uma fortuna. Por isso, suponho, ainda não fechou negócio com a TV ou o cinema, mas isso haverá acontecer um dia.

Há que se ressaltar o texto das peças que produz: muito bons. Esse é de um dramaturgo craquíssimo, Carlos Alberto Soffredini, baseado em inspirado em contos de Câmara Cascudo e Silvio Romero, que teve adaptação de Francisca Braga, na qual promoveu interessantes adaptações modernizadoras e até mesmo sutilmente feministas. A heroína da história, por exemplo, dispensa o tal “príncipe encantado” que afinal encontra, para optar por uma vida de liberdade e independência.

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Só para encerrar de uma maneira mais “bacana”,  as  músicas  da peça são de Vinicius de Moraes, Herivelto Martins, Victor e Léo, Caetano Veloso, Catulo da Paixão Cearense, Gonzaguinha, Renato Teixeira e Marisa Monte, o elenco é composto por  Cleto Baccic, Kleber Montanheiro, Luiz Araújo, Camila Brandão e Felipe Machado e para assistir, o serviço é esse:

Teatro CETIP (no Instituto Tomie Ohtake

  • Rua dos Coropés, 88, Pinheiros São Paulo, SP
  • $ 50,00
    sem taxa
  • Se você tem MARIA no nome, apresente seu documento com foto e ganhe 50% de desconto em qualquer setor da plateia.