Copa-Libertadores_poucas_palavras

O título de campeão da América do Sul é merecido e, principalmente, encerrou uma dieta de títulos  injusta para o Atlético. E nada como uma Libertadores para começar um novo ciclo. Mas, a verdade, é que o Galo pagou caro por isso. Nos últimos quatro anos, o clube acumulou uma dívida superior a 100 milhões de reais — soma que o prêmio e as bilheterias da Libertadores não cobrem.

O presidente Alexandre Kalil é daquele tipo antigo de cartola. Sai contratando jogadores que deseja, monta  um bom time, endivida o clube e ganha títulos. Depois é depois. Não perde tempo pensando no marketing, nos produtos que podem representar rendimentos extras, na valorização da marca. Ainda que com esses defeitos, o fato é que ele, desde que assumiu o cargo em 2009, tirou o time da mediocridade e obteve  um título maior ao clube, o que não acontecia desde 1971, quando o Atlético foi campeão brasileiro.

A essas alturas, em que o futebol virou um grande negócio e não apenas o exercício da paixão, é de se pensar se vale a pena. O torneio não evoluiu da mesma forma e no mesmo nível que o futebol. É ainda uma competição cercada de amadorismos, políticas, critérios injustos, violência e desmandos de uma cúpula quadrilheira e fisiológica. E o torneio é cercado de componentes extra-jogo que são determinantes no resultado final. Como, por exemplo, viajar 17 horas para enfrentar o Tijuana no extremo norte do México e jogar em gramado artificial. Enfrentar arbitragens inescrupulosas, que cometem erros decisivos, como foi ,principalmente, com o Corinthians, com o Fluminense e o próprio Atlético. Jogar em altitudes desumanas, em cidades que sequer têm aeroporto. Enfrentar a hostilidade das torcidas adversárias que ainda usam o velho expediente de atrapalhar o sono fazendo barulho nas vizinhanças dos hotéis em que se hospedam — além de apedrejamento de ônibus. Jogar em campos em que não há espaço para bater um escanteio.

Por que, afinal, damos tanta  importância a esse torneio? Por render boas bilheterias, cotas de TV e prêmios. Por levar o campeão a disputar o título mundial. Por promover a marca dos vencedores. Por enfim ser um título continental e que enche de orgulho torcedores e dirigentes.

Mas se é assim tão importante, não está na hora de fazer prevalecer algumas regras básicas que fundamentam um esporte de alto nível? Há uma certa complacência dos politiqueiros brasileiros com a Conmebol. A entidade prometeu, por exemplo, punir o árbitro Amarilla pelos erros cometidos no jogo que desclassificou o Corinthians contra o Boca. Não aconteceu nada — e nem vai acontecer. O regulamento diz que a final do torneio só pode ocorrer em estádios com capacidade para 40 mil pessoas — e ignora que no Paraguai não há estádios com essa capacidade.

São alguns “detalhes” que demonstram a imposição política da Conmebol e a omissão da CBF. Já não está na hora de os clubes brasileiros tomarem uma atitude e exigir regras mais razoáveis para a competição?