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Se as tendências apontam mesmo o futuro, não se espantem com a ironia: haverá de chegar o dia em que será permitido fumar maconha em parques, lugares públicos e até bares, ao mesmo tempo em que o cigarro, feito de tabaco, será proibido. Na teoria estamos perto disso.

A maconha está cada vez mais conquistando espaços de legalidade no mundo ocidental. Recentemente o governo do Uruguai apresentou uma proposta de descriminalização da maconha na qual o próprio Estado se encarregaria de distribuir a erva a seus usuários. Aqui mesmo no Brasil há uma proposta circulando no Congresso de descriminalização da maconha. Em muitos países da Europa e estados dos Estados Unidos já é possível consumir “a coisa” sem se preocupar em ser preso por causa disto.

Ao mesmo tempo, o cerco aos fumantes de tabaco se fecha. Em Nova York já não é permitido fumar em alguns parques. Em São Paulo, a lei é rígida e o cumprimento a ela, mais ainda: há uma verdadeira perseguição aos que insistem em dar suas tragadas a ponto de caracterizar um tipo de exclusão social.

A liberação de um e a proibição de outro são assuntos que hoje circulam com intensidade entre as conversas mais polêmicas. E as justificativas invadem o terreno científico sem pudor.

Mas, no calor das discussões, é de se lamentar que não haja uma voz, ou uma manifestação ou sequer uma reflexão sobre o conceito primordial que reside por trás das liberações e proibições em geral: a liberdade do indivíduo.

Tanto no caso da maconha ou do cigarro, não deveria caber ao indivíduo escolher o que quer consumir? Não é disso que trata a  liberdade individual?. Desde que eu não incomode ou prejudique ninguém, faço o que quiser com meu corpo. Esse conceito deveria valer para maconha, cigarro, aborto, opção sexual ou qualquer outra destas questões muito mais envoltas em tabus do que na realidade. Até porque, se esse tipo de liberdade não é oferecida ao cidadão, ela é praticada à revelia. Em outras palavras, quem quer fumar, fazer aborto ou ficar louco, fica. Sendo legal ou não.