maconha livre_poucas_palavras

 Por Filipe Amado

A cada dia que passa, mais países liberam o uso da maconha. Isso ocorre em níveis diferentes —  alguns autorizam apenas o uso medicinal, outros descriminalizam o uso ou cultivo da planta embora a venda ainda esteja proibida e outros ainda liberam a venda para uso recreativo ao público. Há diversas singularidades e restrições que podem ser adotadas, como por exemplo a proibição do consumo perto de escolas, mas o fato é que a aceitação do uso da maconha esta crescendo rapidamente pelo planeta. Quanto tempo o Brasil resistirá?

No dia 1o de janeiro deste ano, o Estado americano do Colorado pois em prática a medida adotada em novembro de 2012 que autorizava a venda recreativa da cannabis. Em Washington também está aprovada a lei e nos Estados Unidos são quase 20 Estados que já liberam o uso medicinal da droga. Esses lugares seguem o fluxo mundial de aceitação da maconha como uma droga leve e que portanto poderia ter seu consumo adotado. Amsterdam é o caso clássico onde a liberdade de venda e consumo atraem milhões de turistas por ano, mas em outros países da Europa a droga já foi descriminalizada, como na Bélgica. Lá, você pode fumar seu baseado na praça que nenhum policial pode te prender. Mas não precisamos ir tão longe: nosso vizinho Uruguai recentemente autorizou o uso recreativo e a produção e venda da planta, controlada pelo Estado.

A mídia, na sua maioria conservadora, se escandalizou com a legalização num dos Estados do E.U.A, afinal… como assim o grande exemplo mundial de democracia e civilização passa a aceitar o uso dessa droga, usada por vagabundos e maloqueiros? Acontece que logo logo as empresas descobrirão o potencial econômico de venda da cannabis e disputarão loucamente uma vaga nesse mercado. A Monsanto já negocia por fora com o governo do Uruguai, interessada na produção em larga escala da planta. Afinal a maconha movimenta um rede milionária e não estou falando do cara que passa um fumo perto da sua casa ou mesmo do traficantizinho da favela. Quem ganha a grana mesmo são os traficantes internacionais e os grandes produtores. Se as empresas entrarem nesse ramo, a diferença é que a grana passará das mãos de bandidos não aceitos socialmente para bandidos aceitos socialmente. Mas a maconha não é que nem tabaco, ela é facilmente plantada em casa, o que em caso de legalização diminui os lucros com seu comércio. O fato é que os interesses econômicos serão com certeza um dos fatores que pressionarão a legalização pelo mundo e a liberação é com certeza um dos fatores que geram o turismo nos países que a adotaram. Logo mais, as pessoas vão pensar “vamos viajar ao Brasil? Mas lá a maconha nem é legalizada ainda!”

O primeiro passo rumo à legalização é a descriminação, ou seja, chega de tratar o cara que fuma maconha como bandido — e  isso praticamente já acontece juridicamente no Brasil: ninguém vai em cana por fumar maconha, o máximo é ir para a delegacia e depois pagar uma cesta básica de multa. Mas socialmente e culturalmente a maconha ainda é muito estigmatizada e reverter esse processo será difícil. Contudo a tendência mundial ajudará nesse sentido e não tardará muito para o Brasil adotar medidas mais abrangentes. Afinal em quanto tempo a maconha será legalizada no Brasil? Meu palpite é que em cinco anos isso deve acontecer.