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Ele ocupa um dos mais notáveis cargos da atualidade — aliás, dois. É presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL), encarregado de organizar a Copa do Mundo no Brasil. Os cargos são de importância, mas Marin não tem a simpatia de ninguém

Não tem a simpatia do governo brasileiro, principalmente de Dilma, não só pelo seu papel indigno como político durante a ditadura militar, mas, também, por ter um poder legítimo sobre a instituição do futebol brasileiro que produz muito dinheiro e força política — e que os representantes do governo brasileiro precisam engolir, ou pelo menos não enxergaram ainda outra opção.

Também não tem a simpatia de todos aqueles que garantem o voto para que seu reinado seja perpetuado na CBF. Os que votam nesta eleição de compadres são os representantes das 27 federações de futebol do país e dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Todos eles foram convidados a assistir a final da Copa das Confederações, com ingressos, estadia e despesas pagas para permanecer no Rio alguns dias, juntamente com toda a família. O mesmo que aconteceu, aliás, na Olimpíada de Londres quando a CBF gastou 20 milhões de reais para mantê-los a gosto na capital inglesa. Marin precisa ser generoso com elas para garantir os votos que darão continuidade ao seu poder através de seu candidato, Marco Polo Del Nero, nas novas eleições que vão ocorrer dois meses antes da Copa do Mundo. Se esses votos vão para Marin não é por amor ele.

A Fifa também não ama Marin. Na verdade, a entidade usou o brasileiro enquanto lhe interessava — para atender seus interesses no Brasil. Mas agora, Joseph Blatter e corriola já negociam suas condições imperiais diretamente com o governo brasileiro e deixaram Marin abandonado à sua própria sorte. O “pobre” dirigente vem mendigando atenção dos personagens políticos e do futebol e só é incluído nas ocasiões solenes por protocolo.

Atenção a Marin não falta aos manifestantes, mas eles também não amam este senhor. Ao contrário, o presidente da CBF tem péssima reputação entre aqueles que reivindicam uma conduta mais ética nas principais questões que envolver a sociedade brasileira. Marin é dum dos seus principais alvos.

Apesar de tudo, o velho comandante não se ressente da sua solidão. Afinal, o plano que tinha em mente está se cumprindo de maneira louvável,com a boa atuação da Seleção Brasileira, a adesão dos votantes à eleição da CBF e a projeção internacional que vem obtendo. A solidão é o resultado esperado da riqueza e da fama.