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Você que tem mais do que 30 anos de idade e adora futebol já deve, provavelmente, estar falando como os velhos: “No meu tempo é que tinha futebol de qualidade, grandes times e grandes jogadores”. Esse período de tempo pode, dependendo da abordagem, ser muito curto ou muito longo. Curto, se pensarmos que são apenas um pouco mais de dez anos. Longo, porque já há mais de dez anos que não se vê bons times e bom futebol pelos campos brasileiros.

Confira: qual foi o grande time que despontou nesse milênio? O Cruzeiro, campeão brasileiro de 2003, muitos vão responder. Sim, foi um bom time, que ganhou o título com facilidade. Mas veja a escalação: o grande craque daquela equipe era o Alex, que hoje está no Coritiba. O restante dos jogadores é praticamente anônimo. Talvez tenha sido brilhante pela absoluta falta de concorrência.

O mesmo pode-se dizer do São Paulo, tricampeão em 2006, 07 e 08. Apesar do feito inédito, era um time absolutamente comum, que ganhou títulos com um futebol eficiente mas medíocre. Não foi diferente de outros campeões deste século: Corinthians, Fluminense, Flamengo e Santos— times que souberam vencer, mas nunca encantaram. O Santos é um dos únicos que se salvam, mais pela qualidade de um ou outro jogador (leia-se Neymar), mas nunca pela qualidade do time. Também o Corinthians de 2005 tinha um super elenco de craques, adquirido com verbas de origem duvidosa, mas não tinha time.

Nenhum deles pode ser comparado aos times que encantaram tempos atrás. Corinthians, São Paulo e Palmeiras, da década de 1990. Flamengo da década de 1980. Internacional da década de 1970. Santos e Palmeiras da década de 1960 — e vamos parar por aí, antes que essa conversa vire anciã.

O fato é que cada vez mais  surgem menos craques e o futebol é dominado por técnicos incompetentes que não sabem trabalhar equipes que não tenham jogadores excepcionais. Solucionam o problema praticando um futebol feio, altamente defensivo, baseado na marcação dura e faltosa, nos contra-ataques e nas bolas paradas. Hoje, quando se vê um jogo bom, disputado com técnica, com lances de gol, tabelas bem feitas, passes em profundidade, jogadas individuais e articulações complexas, se comemora como se fosse uma conquista importante.

Enquanto isso na Europa, nem sempre com craques, o futebol evoluiu nos seus aspectos táticos e técnicos e vem dando um banho de qualidade em nossos pobres campeonatos.

Mas o pior de tudo é a política dos ingressos nos estádios. Estão cada vez mais caros. E o resultado disso, é claro, são estádios cada vez mais vazios. Tudo bem pagar 50 reais para ver um jogo — desde que o espetáculo seja de qualidade, com bons jogadores e bons times.

Do jeito que está, um ingresso não vale mais do que dois reais.