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Os brasileiros sempre foram um povo carente, com “complexo de vira-lata”, como bem definiu Nelson Rodrigues em suas crônicas exemplares. Por muitas décadas, tivemos necessidade de nos posicionar com destaque em relação ao resto do mundo para aliviar esse sentimento de inferioridade coletivo. “O melhor futebol do mundo”, surgiu dessa ansiedade de sermos algo em alguma coisa — e, convenhamos, de fato tínhamos o melhor futebol do mundo. Também tivemos as melhores praias, o melhor café, as melhores mulheres, a melhor engenharia civil, o melhor arquiteto. E mais uma lista de “melhores do mundo”, com itens que se alternavam conforme a época.

Hoje, a história mudou. Já não temos mais aquele velho complexo de vira-lata — estamos transitando ainda para um novo sentimento, com mais convicções e certezas. Mas continuamos a exibir títulos mundiais, só que com sinal invertido. Somos campeões negativos em várias áreas.  No último post, comentei o fato de termos o pior e mais caro celular do mundo. Segue agora uma lista de outros títulos mundiais: os juros mais altos, o carro mais caro, a maior violência urbana, a maior carga tributária, os políticos mais corruptos, a energia elétrica mais cara.

Com certeza temos outras lideranças negativas e tenho certeza de que o leitor poderá acrescentar outros itens.

Diante disso, só resta a nós, cidadãos inquietos e inconformados, perguntar o motivo dessa situação. A carga tributária, altíssima, encarece os produtos e serviços, o sistema burocrático estimula a corrução, as enormes margens de lucro praticadas pelas empresas inflacionam os preços e a má administração dos políticos produz violência. Claro, não se pode justificar um problema tão complexo em tão poucas linhas. Ainda mais porque os fatores se combinam e se potencializam. Mas é melhor arriscar algumas explicações, ainda que improváveis, do que permanecer com essa eterna sensação de ignorância e impotência.