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Recentemente, fiz uma entrevista com o diretor de cinema inglês Peter Greenaway, em sua visita ao Brasil para fazer palestras no evento Fronteiras do Pensamento.

Greenaway me recebeu com muito bom humor num hotel de São Paulo e foi com o mesmo tom que discorreu sobre algumas de suas ideias sobre o cinema. Algumas delas lembram aquelas soluções ousadas e alternativas — mas nem sempre bem sucedidas — das manifestações artísticas dos anos 1970.

Mas uma das coisas que mais me marcou em nossa conversa foi sua clara, assertiva e segura convicção de que o cinema acabou. Não há mais novidade na tela, os temas estão se repetindo continuamente, disse ele. Tudo o que se faz hoje em dia é maquiar as imagens com efeitos visuais e outros recursos.

Além do fato de considerá-lo um cara com ideias interessantes, não mais pensei sobre o assunto. Mas a ideia me voltou à mente quando vi a enquete preparada pelo jornal espanhol El Pais sobre os melhores filmes de todos os tempos. Até repetimos a enquete no site da Alfa e lá é possível ver os dez finalistas. A final confrontou Blade Runner com O Poderoso Chefão I, e o filme de Coppola foi eleito o melhor de todos os tempos. É um exercício interessante discutir a lista, incluir ou excluir filmes, enfim refletir sobre o assunto.

Mas a principal reflexão que extraí dessa lista foi a constatação de que o filme mais novo, justamente Blade Runner, é da década de 80. Ou seja, de lá para cá, não surgiu nenhum filme que realmente pudesse fazer a diferença. Perguntei, procurei, pensei e, de fato, não me veio à mente nenhum filme produzido nos últimos 30 anos que pudesse ser incluído na lista dos melhores de todos os tempos.

Será Peter Greenaway tem razão? Convoco os leitores a lembrar de filmes, produzidos após 1982, que mereçam estar na lista.