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Há onze anos, Felipão dirigiu a Seleção Brasileira e ganhou uma Copa do Mundo, o penta. Hoje, de novo à frente do time brasileiro, o técnico vive um dilema. Recentemente ele justificou o título conquistado onze anos atrás dizendo que, naquela época, contava com três craques: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaucho.  Hoje, ainda que ele tenha Neymar, Lucas e Oscar, jogadores de alta qualidade técnica, ainda não estão tão preparados para ganhar uma Copa como estavam os craques de 2002: são muito jovens, não chegaram no seu auge e não têm a experiência necessária.

Com isso, ele deixa subentendido que deverá adotar o mesmo jeito de jogar que utilizou anteriormente. É um perigo. O esquema que ele gosta pressupõe a utilização de três zagueiros, uma formação completamente ultrapassada que deu certo para determinados times e campeonatos.  Trata-se de uma forma de jogar mais retrancada e que deu certo em 2002, como bem ele sabe, porque os três craques do time resolveram a parada.  É bom lembrar que também havia um outro craque no time: Marcos. Quem acompanhou aqueles jogos sabe muito bem que nosso meio de campo, pouco criativo, e a defesa, atrapalhada e sem qualidade técnica, deu muito susto no torcedor brasileiro.

Até agora, Felipão não praticou o futebol que é sua característica. Mas dá sinais, cada vez mais claros, de que vai acabar jogando com três zagueiros, reforçar o jogo defensivo e esperar que lá na frente os craques resolvam a parada. É com isso que ele sonha: formar um time forte e reeditar a trinca de atacantes da Copa de 2002.

Mas o passado passou. E o futebol mudou, desde então. Os sistemas defensivos nivelaram por baixo os times e foram necessárias transformações que valorizam o jogo mais ousado, o toque de bola coletivo, a ocupação integral do campo e uma certa má vontade com os zagueiros e volantes de retenção. O Barcelona muitas vezes joga com um volante apenas. A ideia mais atualizada do futebol compreende um jogo coletivo em que todos voltam e atacam.  Três zagueiros lentos não cabem nessa filosofia de jogo.

Felipe Scolari, com todas as suas qualidades, não é um técnico atualizado no seu tempo. Não quer dizer que não pode sair-se vencedor na Copa. Ele pode, sim, formar um bom time baseado na sua filosofia de jogo, desde que tenha disponível “certas” condições. Esse é o dilema dele: ter essas condições e poder praticar o tipo de jogo que gosta. E essas condições dependem exclusivamente do bom desempenho dos craques. É por isso que todas as suas expectativas estão depositadas num ataque de alto nível.

No fundo, o que ele gostaria mesmo de ter era o Messi, resolvendo tudo lá na frente.