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Eleições são sempre políticas e isso ninguém discute.  Mas não precisava ser tanto como tem sido em São Paulo. Os dois candidatos do segundo turno, Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB), têm um discurso que contempla quase exclusivamente o compromisso político e partidário de cada um. Mas não contempla aquilo que o paulistano mais deseja: soluções para a cidade.

Não estou falando das promessas clichês, preocupadas com estatísticas — do tipo “cem mil creches” ou “ um milhão de quilômetros asfaltados”.  Longe disso. O que falta é um discurso mais qualitativo em relação às questões da cidade e dos paulistanos.

Não se fala, por exemplo, em soluções criativas e ousadas para o transporte coletivo e para a dinâmica do fluxo da cidade. São Paulo está mergulhada num caos de trânsito e problemas de transporte e é preciso ousar para tentar melhorar essa situação. Sobre isso, pouco se ouviu.

Como também foram praticamente nula as propostas dos candidatos sobre a recuperação do centro da cidade. Gilberto Kassab, o atual prefeito, mandou os craqueiros embora, o que foi de uma sensibilidade de jacaré. E agora que já não estão mais lá (foram para outros bairros), o que será feito com o centro? Trata-se do espaço mais nobre da cidade, mais histórico, mais charmoso e interessante — e completamente abandonado. Alguém tem alguma proposta?

Não. E se tiverem, não mencionam no horário político ou nos discursos que fazem por aí. O embate entre os dois candidatos é puramente político — o confronto entre forças opostas feito à base de acusações ou de medição de forças.

É importante que candidatos sejam representantes de partidos e de projetos políticos. Mas, ainda que ambos representassem de fato correntes políticas opostas, uma eleição municipal também tem que abordar questões práticas e soluções circunstanciais.

Não é para isso que servem?