Swiss Fort Knox_poucas_palavras

Dizem que quando há algum tipo de conflito entre países, todo mundo perde, mas quem sai ganhando mesmo é a Suíça. Ainda sob essa aura de neutralidade, o pequeno país europeu vive prosperidade em pelo menos um setor: o da segurança digital Recentemente, a Panda Security, empresa de segurança em  informática,  revelou, em seu último relatório, que a Suíça é o país mais seguro do mundo no universo digital  — “apenas” 18,4% de seus computadores estão infectados ou sujeitos a invasões. Coréia do Sul (57,3%) e China (51,9%) são os vulneráveis, mas Estados Unidos, com 30%, e Espanha, com 33% também não podem se sentir seguros.

Mas o marketing da segurança suíça não pára por aí. É dentro de seu território, no meio dos Alpes, que se encontra uma verdadeira fortificação digital, o Swiss Fort Knox.

A empresa Siag, especializada em segurança digital, resolveu investir nessa ideia. Adquiriu do governo suíço um bunker anti-nuclear, construído na época da guerra fria, próximo à cidade de Gstaad, onde, dizem, há a maior concentração de bilionários do mundo.  E, lá, montou uma verdadeira fortaleza digital — 100% segura, garante a empresa. O bunker foi construído dentro de uma montanha, protegido de ataques nucleares, químicos e biológicos — na verdade, são dois bunkers, conectados por fibra ótica e separados por uma distância de 10 quilômetros, com instalações idênticas e todo o data center replicado em regime de total redundância. Dentro deles, há cinco zonas de segurança, geradores de energia dedicados, sistema de resfriamento que bomba a água congelada externa para um lago artificial interno, filtragem do ar com proteção de irradiação atômica, estoque de provisões para 12 meses e até um sistema de reconhecimento facial dos que lá entram.

O CERT (Computer Emergency Response Team), agência oficial de segurança digital do governo suiço, garante que essas instalações estão protegidas de todos os tipos de espionagem, inclusive as executadas pelos Estados Unidos para monitorar o fluxo de informações de outros países.

Aliás, a Siag não aceita clientes americanos, seja da área privada ou governamental. A explicação é de que não pode criar margem de dúvidas no mercado caso fosse convocada a colaborar com as agências de inteligência americanas.

Ironicamente, no entanto, foi o próprio governo americano que permitiu um crescimento exponencial na procura pelos serviços do Forte  Knox dos Alpes. A empresa admite que, desde as revelações feitas por Edward Snowden, a procura pela proteção digital máxima  subiu 300% — como se, finalmente,  tenham descoberto que os programas gratuitos de proteção digital não são exatamente eficientes. Hoje, clientes como Cisco Systems, Novartis, UBS e Deutsche Bank  guardam todas as informações de seus sistemas na montanha suíça. “Já há um reconhecimento geral de que as informações digitais são mais valiosas do que o dinheiro. Dinheiro pode ser reposto, informação, não. É preciso ter bancos para as informações digitais e de bancos somos nós, suíços, que entendemos”, diz Christoph Oschwald, o diretor e fundador da Siag.

Oschwal é um ex-paraquedista, de 53 anos, que idealizou o negócio — e investiu nele 50 milhões de dólares — em 1996,  com a certeza de que seria um pioneiro. “Naquela época, ninguém levava a sério esse tipo de segurança. ‘Guardar informações dentro de uma montanha? Para que?’, perguntavam”.

No ano passado, Oschwald recebeu uma ligação de um professor da Universidade de Viena. Ele queria guardar, de maneira inviolável, um arquivo contendo uma ferramenta capaz de decifrar todos os formatos digitais existentes até hoje — uma espécie de Pedra da Rosetta da era cibernética. “A honra é toda minha”, disse Oschwald. “Minha montanha vai abrigar o primeiro genoma digital do mundo”.Swiss Fort Knox_poucas_palavras