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A agressão ao fotógrafo do Estado de Minas, Gladyston Rodrigues, pode parecer apenas mais um evento corriqueiro que envolve as celebridades brasileiras e o relacionamento que estabelecem com a imprensa. Conflitos deste tipo podem surgir a todo momento e “acidentes acontecem”.

Mas não é bem assim. O evento é mais um exemplo da arrogância que acomete aqueles que se sentem privilegiados ou que de fato o são.

Relembrando: Gladyston estava cobrindo um jogo de vôlei no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. Jogando pelo time do Flamengo, estava Sasha Mengehel, 15 anos, filha de Xuxa, a rainha. Os seguranças particulares da menina quiseram, no entanto, impedir que Gladyston fotografasse e resolveram tomar a câmara do fotógrafo, que resistiu. E, por isso, apanhou tanto que foi parar no hospital com costelas quebradas.

Houve queixa e agora haverá investigação, audiências e mais uma série de formalidades inoperantes.

Ainda que os seguranças sejam punidos, a questão é mais ampla do que o incidente em si. O pior mesmo é a mentalidade de poder absoluto que essas celebridades acreditam que têm — e que, em nossa sociedade, de fato têm.

Há muita gente que precisa preservar sua privacidade e sua imagem. Os motivos são muitos. Mas a partir do momento em que qualquer pessoa participa de um evento público, ou mesmo anda em logradouro público, não tem o direito de impedir de ser fotografada. Há uma convenção internacional de direitos civis e humanitários  que regula o direito de trabalho da imprensa. Em outras palavras: quer manter sua privacidade? Não participe de eventos públicos. Não há presidente ou rei que tenha direito de impedir o trabalho de fotógrafos quando estão em locais públicos. Em locais privados, sim. Em casa, por exemplo. Ou no quarto de um hospital.

Mas no Brasil, há um poder particular que parece se sobrepor às leis e até ao bom senso. Basta você ter um par de seguranças brutamontes para impor suas próprias regras. E isso parece ser tão tolerado e aceito quanto a obrigatoriedade de usar cinto de segurança.

Em qualquer outro lugar do mundo, agredir um fotógrafo que esteja trabalhando em local público dá cana no ato. Recentemente, os seguranças de Madonna agrediram um fotógrafo em Tel Aviv, Israel, e foram imediatamente presos. O ator Sean Pen pegou três anos de prisão, em liberdade vigiada, porque em 2010 agrediu um fotógrafo em lugar público — e ainda teve que cumprir 36 horas de terapia psicológica.

Depois da morte da Princesa Diana, a família real britânica fez um acordo com a imprensa: não fotografar os filhos da rainha em eventos públicos. Em troca, dão entrevistas sempre que puderem, o que não acontecia antes. O acordo é seguido à risca, com exemplar dignidade.

Pois é… até a rainha teve que negociar para preservar as aparições públicas dos filhos.

Mas e aqui no Brasil? Cada “rainha” faz suas regras, contrata seu próprio “exército” e cumpre suas próprias “leis”. E quem estiver no caminho, que pague o preço.

No jogo de vôlei em Minas, quem pagou o preço foi um fotógrafo que apenas estava cumprindo sua função profissional.  Infelizmente, não sabia que as leis brasileiras servem apenas para alguns.