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No Brasil, sempre se jogou futebol, mas pouco se pensou sobre o esporte. Temos essa relação orgânica, visceral e intuitiva com a bola que parece ser o motivo pelo qual surgem tantos jogadores espetaculares em nossos campos, tão criativos e técnicos. Em nosso futebol vem predominando essa característica criativa que, de tão intensa, foi capaz de adquirir a hegemonia no esporte durante anos e décadas.

Mas foram poucos aqueles que estudaram a fundo o futebol extraindo dele conhecimentos variados que permitissem uma constante evolução. Aqui, o futebol evolui aos trancos e barrancos: é preciso que ocorra o fracasso para causar reflexões e se tomar providências técnicas e táticas — o que nem sempre dá certo.

Não é o que faz a Universidade do Futebol, uma instituição que “promove o ensino on-line e presencial, produz e compartilha conteúdos para capacitação e qualificação no futebol, trabalhando-o em toda sua potencialidade como veículo de transformação para o esporte e a sociedade”, como se apresenta em seu site (veja aqui).

Em um dos materiais produzidos por essa instituição há um estudo sobre a evolução das metodologias de treinamento do futebol. Nele, é interessante constatar como as escolas foram se sucedendo ao longo do tempo. De 1958 a 1970, diz o estudo, houve o legado brasileiro, baseado na combinação da técnica e da evolução física. A hegemonia brasileira foi indiscutível: foi o único time que ganhou duas copas seguidas com praticamente a mesma formação (1958 e 1962). Perdemos na Inglaterra em 1966 por pura desorganização, porque o elenco era espetacular. Em seguida, veio 1970, cuja história todos conhecem.

A partir daí, surge a “Laranja Mecânica” da Holanda — uma espécie de time-piloto cuja filosofia de jogo encantava e deu um novo alento ao futebol internacional, embora não vencesse nada. Até porque logo surgiu o time da Argentina com Maradona e, de 1978 a 1990, reinou absoluta, ganhando duas Copas e um vice em quatro eventos.

Surge então novamente o Brasil, mas com cara diferente. Muito mais tático e defensivo, praticando um futebol muito menos admirável, mas que agradava pela excelência dos jogadores — como Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho. Adquirimos a hegemonia novamente e, de 1994 a 2002, o Brasil esteve em todas as finais — dois títulos e um vice em três eventos.

Surge então a escola espanhola. Um jogo extremamente coletivo e técnico, baseado na posse de bola e no que chamamos “jogo bem jogado”, com muitos passes, infiltrações, tabelinhas e pressão constante sobre a defesa adversária.

O que esperar da Copa de 2014? Certamente a evolução do futebol não terá nossa contribuição — ainda que sejamos campeões, fruto de um time bom (mas não o melhor) e da torcida brasileira. Jogamos todos as nossas fichas nesses dois aspectos. Afinal, não estamos pensando na evolução do nosso futebol. Não temos nenhuma proposta nova para apresentar na Copa, a não ser bons jogadores e o comando de um técnico boleiro, experiente e vencedor. No nosso pé, estará a Espanha, com sua escola vencedora, a Alemanha, renovando-se e evoluindo (talvez mostrando uma nova escola) e a Argentina, com ótimos jogadores, técnico brilhante e um gênio