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Quando o assunto são as drogas, os brasileiros, principalmente os da classe média para cima, tremem nas bases. O assunto é um dos maiores tabus da nossa sociedade e acompanhado de um elenco interminável de frases e ideias feitas. Enquanto no mundo há um esforço verdadeiro de se entender essa questão em toda a sua plenitude, aqui não avançamos nada em relação ao que era há 40 anos. O resultado é que este tipo de tabu apenas estimula o ciclo do tráfico, do crime e da exclusão social dos consumidores. E a questão não é vista com a racionalidade necessária.

Mas felizmente esse comportamento é diferente em alguns países. Como no Uruguai, em que o presidente, e toda a maioria da Câmara que o apoia, está legalizando o uso da maconha fazendo, inclusive, com que o Estado seja o fornecedor dos consumidores. No mínimo, é uma atitude que impede o tráfico e suas consequências  — crimes, sonegação de impostos e exclusão social.

Agora é a vez da Inglaterra.  Uma comissão estudou o assunto por seis anos e concluiu recentemente que a repressão às drogas não só é ineficiente como também estimula seu uso. Faz sentido. Mas a conclusão mais importante desta comissão foi considerar o consumo de drogas como um direito civil e não mais um crime. Ou seja, o corpo é teu, a vida é tua, você faz com eles o que você quiser — desde que, claro, não prejudique seus semelhantes.

Essa é uma decisão razoável, de uma sociedade, a inglesa, que já adquiriu e incorporou conceitos verdadeiramente democráticos sobre o cidadão e a cidadania. O Estado não tem que tutelar a vida de cada um, mas sim a sociedade.

Além disso, perca as esperanças: as drogas serão sempre consumidas — foram no passado, são agora e serão no futuro. Tanto nas versões alcoólicas, naturais, químicas ou sintéticas. A noção de que é possível reprimir o consumo e o tráfico é “vendida” pelo aparelho repressor como se assim pudesse aplacar a insegurança generalizada dos cidadãos temerosos. Não há ninguém mais interessado em manter a proibição às drogas do que os próprios traficantes — claro, né?

Aqueles que se preocupam com os viciados ou com o poder “viciante” das drogas, estão também míopes. Viciados — em drogas lícitas ou ilícitas — sempre existiram ou sempre existirão e devem ser encarados como um problema individual, ainda que imerso na sociedade. Não venha me dizer que viciados existem porque existem drogas.

Já não é chegada a hora de discutir esse assunto com um pouco mais de maturidade?