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O governo brasileiro está comemorando: este ano, a arrecadação de impostos este ano deve chegar perto de 1,5 trilhão de reais.  É muito dinheiro e os motivos para que ocorra esse recorde são variados.

Um deles, dizem, é o bom desempenho econômico do País. O outro, nada desprezível, é a maior eficiência na cobrança, principalmente devido aos recursos tecnológicos adquiridos para esse fim. O governo tem feito marcação cerrada para não deixar escapar nem um centavo de todas as dezenas de impostos às quais estamos sujeitos. Como a própria Receita Federal reconhece, “nunca antes na história deste país” houve uma cobrança tão forte de tributos sobre a sociedade brasileira.

E para onde vai esse dinheiro? Como sempre, todos sabem reclamar o óbvio. O Brasil tem mais impostos que qualquer país da América Latina  e somente Alemanha, Itália e França têm cargas tributárias maiores do que a brasileira. Mas é o país cujo governo menos oferece em termos de serviços de infraestrutura básica, como educação e saúde.

E com certeza poderia fazer mais. Afinal, a arrecadação de impostos brasileira é mais de 30 vezes maior do que o PIB da Bolívia ou Paraguai.

Se faz pouco, já é um problema grave. Mas não é o único. A estrutura de impostos é complexa e burocrática (para não dizer enlouquecedora) e o conceito que está por trás de toda essa teia tributária é o de comprometer o cidadão. De alguma maneira, todos nós estamos na mão do Estado, devedores eternos, sujeitos constantemente a uma repentina prestação de contas.

O imposto é importante e positivo. Temos que ter um Estado arrecadador e provedor. Mas há limite nessa história.  O brasileiro paga, em média, 35% de imposto sobre o que ganha. Um trabalhador com mais de cinquenta anos, e com a atual expectativa de vida de 74 anos, terá que trabalhar 24 anos para pagar impostos.

Já ouvi histórias de profissionais liberais dos Estados Unidos que exercem sua profissão com um contador fazendo cálculos tributários diariamente. Em algum momento do ano, o contador avisa que não é mais interessante trabalhar porque a partir daquele momento todos os rendimentos serão gastos em impostos. Então o cara simplesmente bota uma bermuda e vai para Bermudas.

Acho que acabei de colocar ideias na cabeça de muita gente.