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Nesse momento em que Vinícius de Moraes estaria completando cem anos, nada mais apropriado do que pensar nele e no seu sucesso. Principalmente com as mulheres.

Vinícius foi um grande poeta capaz de eternizar seus versos, ainda que em muitas vezes tenha optado por ser popular. Talvez seja esse o seu primeiro segredo de sucesso com as mulheres: ser romântico e sensual fazendo-se compreender.

Ele não tinha o lay-out que se confere, normalmente, aos grandes conquistadores. Era baixo, gordinho, tinha o cabelo oleoso e parecia estar sempre engasopado — e muitas vezes estava mesmo, porque gostava de beber, do uísque à cachaça. E talvez esse fosse seu segundo segredo: tinha aquele ar romântico e embevecido, como eram os poetas tuberculosos antigamente, que instiga as terminações nervosas femininas de baixo para cima.

Vinícius casou nove vezes. Talvez não no papel, mas morou junto com todas elas. Ele não namorava. Gostava de uma mulher e era o que bastava para, às vezes na mesma noite, colocá-la morando em sua casa. Paixão e determinação — esses é o terceiro segredo do poetinha.  As mulheres querem que o homem se apaixonem por elas e sejam determinados, seguros, decididos.

Uma frase célebre sua é “que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”. Esse que poderia ser considerado um pensamento machista é, na verdade, o seu quarto segredo com elas. Todas as mulheres que ele assediava tinham certeza absoluta que eram bonitas — mesmo que não fossem. Por isso, todas queriam estar perto dele, serem aprovadas por ele. Já viu, né?

O quinto segredo é que Vinícius não perdia oportunidades. Ele não se fazia de difícil e não rejeitava nenhuma — não tinha essa de ficar reparando no cabelo muito curto, na celulite no canto esquerdo da coxa ou no nariz levemente torto. O poetinha tinha compromisso com a produtividade.

O sexto segredo é ele declarar, constantemente, seu amor às mulheres. Ainda que fosse no plural, qual mulher não se sentia atraída por quem declara amor ao gênero? Não só atraída. Mas segura de que será bem tratada, amada, confiada. Entendeu?

O sétimo segredo é a poesia, claro. Algumas doces palavras, articuladas com ritmo e rima, podem fazer milagres com elas. Você nunca será um poeta com a qualidade do Vinícius, mas pode ter sucesso com essa receita desde que não rime “João” com “sabão”.

Vinícius era um cantor bem ruim. Mesmo. Nos seus shows, aparecia sentado, com um copo de uísque na mesa e, muitas vezes, tropeçando nas palavras, não se podia entender a letra da música. Mas mesmo assim, cantava. Cantores, bons ou ruins, sempre encantam elas. Os bons, pela qualidade. Os ruins, pela coragem. Não é por acaso que “cantada” é um termo que designa o ato de cortejar uma mulher. Pense nisso e afine o gogó. Esse era o oitavo segredo dele.

O nono segredo era a sua capacidade sensorial de sempre estar onde elas, as melhores, estavam. Na época dele, o melhor lugar era Ipanema. Ele ficava lá, vendo-as sair da praia, com seus ousados biquínis dos anos 1960. E de vez em quando compunha uma música que fazia sucesso internacional. Assim, até eu.

Finalmente, o mais importante. Vinícius era aranha, não gavião. A aranha arma a teia e espera a vítima chegar e se enredar. Daí, calmamente, vai degustar o seu jantar. O gavião fica voando e quando vê a “vítima” ataca num vôo rasante. Luta, se esfola e às vezes sai de estômago vazio. Quem gasta mais energia? Quem come mais? Vinícius não corria atrás de nenhuma: elas vinham a ele.

Ele não precisou de carrões, de ir em balada ou de ostentar dinheiro para ter todos os bondosos benefícios de suas nove mulheres e tantas outras que se tem notícia. Não está na hora de você mudar seus conceitos?