O Google acaba de completar 14 anos de vida. O Facebook é mais novo ainda: tem apenas oito anos de atividade. Uma criança e um adolescente passaram a participar de nossas vidas de maneira decisiva e inevitável. Somos dependentes do Google para navegar na internet e extrair dela o que de fato precisamos da rede. Nada seria possível se não existisse esse mecanismo tão eficiente de organizar nossas buscas por esse universo quando infinito que é a internet.

Do Facebook criamos outro tipo de dependência. A social, sim, cada vez mais presente. Tente não ter um perfil particular nele e experimente, de forma crescente, a exclusão social dos novos tempos, aquela em que você não atualize as informações dos seus amigos e conhecidos e não se conecta com as novidades da vida. Mas não só isso. No Facebook estão convergindo todas as tendências do mercado, em termos de produtos, serviços e novas funcionalidades tecnológicas cada vez mais imprescindíveis.

Imperadores da nossa vida, ambas as empresas agem como tal. Nos dão os benefícios da generosidade nobre, o pão e o circo de nossas vidas reduzidas, a fugaz felicidade de se integrar nessa sociedade hostil, consumista, autofágica. E nos cobram na mesma moeda, a aceitação de seu poder incomensurável e insaciável.

O Google determina, através da combinação de seus algoritmos, as nossas fontes de informação. Eu gostaria de saber quais os resultados de busca que um polonês obtém ao digitar uma palavra-chave. Gostaria de poder acessar os sites que ele acessa. Por que? Porque sim. Porque esses sites que só ele acessa existem e eu quero conhecer. Porque quero ter o direito de acessar a informação que está disponível. Mas o Google não deixa. O resultado da pesquisa restringe-se apenas àqueles sites que estão no Brasil ou, no máximo, diretamente relacionados com a busca que faço. Pior ainda, o sistema de busca do Google conhece os sites que eu gosto e uso e se limita a oferecer esses mesmos — em vez de expandir meus limites, os limita.

O Facebook e seu imenso poder sobre nossa vida social, faz pior ainda. Determina a ética e a moral de todos os seus usuários. Não permite nudez, por exemplo. E não há exceções. A página da Playboy no Facebook é constantemente pressionada pelo seu conteúdo editorial. A Playboy existe desde 1956, sempre com a clara proposta de apresentar a nudez feminina para o público masculino. É bom ou ruim, não sei, não julgo. Mas o Facebook julga e determina. Como é a rede social onde estão concentrados os relacionamentos pessoais e  empresariais, acaba, na verdade, determinando a própria ética e moral de nossas vidas.

Sob a ditadura da informação determinada pelo Google e sob a ditadura do comportamento determinados pelo Facebook, hoje somos produtos formatados pelo modelo de negócios de duas empresas — nossas imperadoras. E se acrescentarmos o poder da Apple, com suas tralhas sedutoras, e a Microsoft, com seus tentáculos tecnológicos, temos aí um verdadeiro Estado Maior corporativo, do qual devemos todos reverenciar e obedecer.

Como diz um amigo meu, quero morar no Jalapão.palpatine620