Por Igor Amaral

An anti-government protester in Rio

É inegável: na última década o Brasil deu um salto em termos sociais. O índice de desenvolvimento humano subiu mais de 40%. Há mais acesso à educação, saúde, meios de comunicação e a confiança nas polícias aumentou.Mesmo todos nós sabendo que ainda estamos muito longe do ideal em todos os
aspectos citados, devemos admitir que crescemos, evoluímos. Muitas pessoas deixaram a linha da pobreza e passaram a ter o que comer, jovens, que antes não teriam acesso ao ensino superior, hoje estão nas universidades, escolas técnicas foram criadas. Não quero aqui estereotipar os avanços em
governo A ou B, acredito que, mesmo tímidos, eles são frutos de um esforço mútuo de vários setores da sociedade, sem distinção partidária. Evidente que a política populista implantada pelo PT de programas, como o bolsa-família, contribuíram para o avanço social. Se antes os principais flagelos da população eram alimentos e educação, hoje mudaram.

Sim, eu sei que há muitas pessoas passando fome e longe da escola. Mas esta nova classe média, que antes lutava por pão e educação, hoje quer mais. Atualmente, a demanda não é por quantidade, mas sim por qualidade. Sabemos por exemplo, que o problema da educação não é o dinheiro
investido, e sim a gestão. O mesmo caso serve para a saúde. Ora, até mesmo os aeroportos estão sendo questionados pela classe média, quem imaginava que seria tão fácil viajar de avião? A reivindicação não é acesso ao ensino superior, mas a qualidade dele. Se comprarmos com flagelos de outras épocas, os atuais são bem diferentes. E essa migração de necessidades ficou explícita no movimento que invadiu as ruas no início de junho. Obviamente que nem todas as questões incipientes sociais estão resolvidas. Há muita gente morrendo de fome, sem médicos e analfabeta. O país avançou, mas deixou mazelas para trás. E isso emperra! Embora tenhamos dado alguns passos, eles só serão efetivos se não deixarmos tantas lacunas. É preciso resolver as questões mais simples, para depois atender as necessidades mais complexas.