arena palmeiras

 

O Palmeiras da Série B, eliminado do Campeonato Paulista, tem, apesar de tudo, dado algumas lições importantes para seus adversários de São Paulo e do Brasil.  Pelo menos no que diz respeito ao marketing e ao desempenho comercial do clube.

Apesar de seu novo estádio ter sofrido recentemente com acidentes (parte da nova arquibancada caiu), o Palmeiras conseguiu um feito inédito no mercado futebolístico brasileiro: vender os direitos do nome do novo estádio — o chamado “naming rights”.

O cliente é a empresa seguradora Allianz, a mesma que adquiriu o nome do estádio do Bayern, possível campeão da Champion League. O negócio não é pequeno: são R$ 300 milhões por um período de 20 anos, o que paga mais da metade do custo do novo estádio, avaliado em R$500 milhões.

Claro que essas são cifras ainda obscuras. Afinal, o clube não está sozinho no negócio. Tem sócios que buscam (bons) lucros, como a WTorre, o principal deles, empresa construtora do estádio.

Ainda assim, é o primeiro grande negócio privado nesses termos, o que deve abrir, definitivamente, o mercado para esse tipo de transação, beneficiando todos os estádios particulares que estão sendo construídos ou reformados — incluindo o do Corinthians e do São Paulo. A negociação do Palmeiras cria uma referência importante no mercado, permitindo aos clubes negociarem seus nomes com valores baseados nos fatos e não nos planos e desejos.

Falta apenas decidir o nome e isso vai ser feito ao longo do mês de março em votação aberta pela internet. Serão três opções: Allianz 360, Allianz Parque e Allianz Center. Infelizmente a opção que certamente seria a preferida pelos torcedores não existe: Allianz Palestra ou Palmeiras. Também não poderá ser usado o nome Allianz Arena, já que esse pertence ao Bayern.

O Palmeiras sempre foi tido como um clube de política complexa, com facções fisiológicas e identificado com cornetagem. Pode até ser. Mas não dá para negar que, à parte todo o discurso de “gestão moderna”, muitas vezes apenas retórico, o clube se vira muito bem em suas negociações de patrocínio e comercialização. Talvez daqui a alguns anos tudo isso seja pouco levado em consideração na avaliação do clube. Mas, por enquanto, o Palmeiras dá o exemplo.