Paulinho_poucaspalavrasPuali

Ele é discreto. Raramente chama a atenção para a sua participação e é tido pela torcida brasileiro como uma peça um tanto obscura na maior parte do tempo. Mas Paulinho já provou que é muito mais do que isso — e é impossível não reconhecer.

Além de sido decisivo no jogo contra o Uruguai, foi também o melhor jogador em campo, embora o prêmio tenha sido dado a Júlio Cesar, por ter defendido o pênalti. O goleiro evitou o gol, mas Paulinho participou dos dois que deram a vitória ao Brasil. No primeiro gol de Fred, o volante corintiano fez um lançamento de exatos 32 metros para Neymar finalizar, permitindo que, no rebote, Fred marcasse.

Lançamentos de 32 metros estão fora de moda no Brasil. Aconteciam normalmente quando tínhamos craques indiscutíveis no meio de campo, como Gérson e Rivelino, capazes de fazer isso com precisão admirável e frequência idem.

Jogadores do meio de campo, craques, capazes de conduzir o ritmo da partida, fazer lançamentos e gols decisivos, estão em falta há décadas no futebol brasileiro.

Paulinho faz tudo isso e ainda é chamado de volante. Sim, porque ele recua para dar combate, defende dentro da área, sai jogando, faz passe em profundidade e se manda para o ataque sempre com muito perigo. É, frequentemente, o jogador que mais corre em campo, chegando a médias de 10 km por partida.

Felipão sabe disso. Tanto sabe que, para ele, o time brasileiro tem uma coluna vertebral intocável: Julio César, Thiago Silva, Paulinho, Neymar e Fred. Nesses cinco, ele não mexe e muito provavelmente formará a estrutura do time brasileiro na Copa do Mundo.

E que técnico brasileiro, em são consciência, dispensaria um jogador como esse, capaz de defender, distribuir jogo, lançar, atacar e, ainda por cima, fazer gol de cabeça?

Será que português André Villas-Boas, técnico do Tottenham, dispensaria?