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Nos anos 1960 corria uma história, ou piada, de que um malandro carioca teria vendido o Pão de Açúcar para um turista qualquer. O Rio de Janeiro estava passando por uma certa explosão turística e havia uma grande animação para “tirar uma grana” daqueles que vinham nos visitar.

Verdade ou não, a história, ou piada, ilustrava bem um certo espírito de exploração predatória do turismo ou do consumidor visitante em geral. O tempo passou, estamos às vésperas de receber uma leva grande de estrangeiros para os eventos esportivos que vão ocorrer nos próximos meses e anos. Mas parece que o espírito não mudou.

Conta-me uma amiga que mora em Nova York que, em passagem pelo Brasil, pôde perceber com precisão esse tal espírito predatório. Sem querer sair de casa, pesquisou um restaurante que entregava a domicílio e pediu um omelete e um suco de carambola. Total da conta: 85 reais. E ela descobriu que o preço do suco de carambola foi de 18 reais. Mais ainda: no aeroporto de Recife, onde teve que esperar um vôo, o único restaurante cobrou 105 reais para um prato executivo.

Cobrar 18 reais um suco de carambola e vender o Pão de Açúcar são, no fundo, a mesma coisa.  Uma prática predatória cujo objetivo é extrair o máximo de vantagem agora, ainda que mais tarde não se poderá extrair mais nada.

Fazer parte do roteiro turístico mundial — e usufruir da imensa receita que isso pode significar — não é nada fácil. Não basta natureza exuberante, monumentos históricos e estilo e personalidade turística. É preciso muito mais. Turistas que produzem receita para o país visitado não são milionários que acendem charutos em notas de cem dólares. Antigamente, até poderia ser assim. Mas hoje a indústria de turismo é feita por viajantes remediados, que querem curtir ao máximo gastando o mínimo. E mesmo esse mínimo é muito interessante. Querem hotéis razoáveis e limpos, alimentação local honesta e preços baixos em tudo. Querem hospitalidade. E se não encontram nada disso, não voltam. Pior ainda, divulgam que esse destino não oferece condições tão boas quanto outros.

A mentalidade brasileira para receber turistas ainda está muito longe da exploração predatória. Estamos esfregando a mão para receber turistas nesse evento e levar uma boa grana deles.

E, como tudo, é preciso criar regras, forçar uma mudança de mentalidade para termos entrada no circuito internacional do turismo.  Uma delas, poderia ser a criação de um menu básico com preço máximo que,  caso o restaurante adotasse, teria a chancela do Ministério do Turismo.

Isso é só uma ideia, bem fácil de praticar, por sinal. Mas não estamos vendo nenhuma providência parecida para os eventos esportivos que acontecerão em breve.

E não será nada surpreendente o Pão de Açúcar for vendido novamente ou se algum turista trouxa pagar 18 reais por um suco de carambola.