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Como dispensar de nossas vidas esse bem cultural de valor inestimável? Espaço democrático de convívio social, de serviço honesto e módico, disponível sempre para os nossos momentos mais sorumbáticos ou exaltados, eis o boteco, nossa plena alma brasileira.

Boteco é aquele estabelecimento que está sempre de porta aberta, para todos. Não há divisão entre a rua e seu interior. Boteco é onde se serve a bebida popular, a preço justo. É onde se pode beber meia hora de cerveja no balcão e levar algum papo furado com o cidadão do seu lado, seja ele quem for. É no boteco que a discussão sobre futebol é mais séria e definitiva. Também é lá que se pode comer a mais legítima coxinha, o ovo cor de rosa, o torresmo quase torrado, enquanto nosso amigo que nos serve faz a limpeza do balcão com o mesmo pano que vem usando desde trasantesdeontem.

Quer chorar as mágoas de um amor perdido? Vá ao boteco. Quer comemorar uma promoção? Esse é o lugar. Nada de mais aconteceu na sua vida? É no boteco que você vai pensar sobre o assunto.

Onde encontrar mais honestidade do que naquele PF, o prato feito, com todas as comidas que o planeta precisa: arroz, feijão, bife, salada? Igualmente honesta a cerveja gelada, a jurubeba, a cachaça, o misto quente e o sanduba de mortadela. Honestidade no preço e na simplicidade que se exige.

Verdade que o boteco está sob risco. Não que vá deixar de existir, mas sim porque usam seu nome em vão. Botecos fakes se proliferam por aí, usando o nome para designar ambientes fechados, caros, metidos e seletivos. Recuse-os e prestigie esse nosso régio bem cultural.

Salve o boteco!